Porque quando sonho é contigo que estou, e quando amo é a ti que eu amo, quando me fundo com alguém é no teu corpo que penso!
E à medida que nos afastamos só me apetece parar no tempo, voltar a sentir o teu cheiro, preservar aquele momento em que o adeus é dito com tristeza de ambas as partes, só me apetece pensar que virão os dias em que te hei-de olhar e o adeus só é dito e não sentido!
À medida que o tempo passa a minha vontade cresce, e já passaram tantos corpos, tantos lábios nos meus, tantos olhares e vontades, e apetece-me sentir o corpo que nunca senti, os lábios que nunca beijei, fechar os olhos ao tocar-te e sentir a tua vontade em não estragar nada, em não dizer nada e simplesmente deixares-me estar, assim ao pé de ti...
Porque um postal não é suficiente e é a tudo o que me agarro, porque aquela foto revela o teu olhar, tão preciso, tão precioso, tão sensível, tão teu, porque aquela praia ali aprisionada é o teu refugio e ao olhá-la apetece-me espiar-te, olhar-te só!
E porque ficámos aprisionados na minha memória, estão lá os momentos dos «olás», aquelas conversas matinais quando o sol não espreitava, aqueles momentos que como disseste não era preciso dizer nada, a primeira vez que te vi, a primeira vez que peguei na tua mão, e o ultimo adeus em que supliquei que não tenhamos ficado por ali! A pulseira que te dei, e nunca te vi usar, estava lá quando me pediste que te fosse ver, («when I dream, I dream of your fists») os nossos nomes combinados ao portão, sabe-se lá porque carga de água alguma mãe deu aqueles nomes ao filho, e porque foram ditos altos quando passei por eles!
Porque tudo isto ainda me anda à volta na cabeça. Porque tu ainda cá andas, porque muito embora a tua vontade seja partir, eu não encontro forma de te deixar ir, embora tenha parecido que te ignorei, implorava a quem quer que fosse que me dissesse se te viu, porque não consegui estar com alguém, porque o som de qualquer nota me leva a ti, porque para além de letras de outros preciso das minhas para me exprimir e ainda assim não chegam, porque não sei explicar muitos mais «porquês», e porque ainda há tantos!
E porque vamos ser optimistas e acreditar que ainda há tempo para nós, e porque vou acreditar que nem que por um segundo estes «porquês» hão-de fazer sentido! Porque ainda te quero tanto ou mais do que quis!
Olhá bela da divagação... olha a bela da tipica escrita lamechas que caracteriza estas bandas... Ao menos tenhamos algures um sitio onde podemos afogar mágoas, e escrever para todos!
G.F.


