quinta-feira, 29 de novembro de 2007

E alguém me diz «- Miúdas giras há muitas!»
Ao que respondo «-Mas não há nenhuma igual a ela!»


G.F.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007



Queria saber como vais
Queria voar para ti
Saber onde páras
Saber o que olhas
O que esse teu olhar esconde

Queria voltar aos dias em que te tinha ao pé de mim
Saber aproveitar melhor cada segundo
Que agora foi deixado para trás
Cada momento
Precioso, único nesse teu olhar

Da varanda vejo as estrelas
Aquelas que os candeeiros no meio da noite não conseguem poluir
Aquelas que como tu brilham mais do que a luz falsa
Aquelas que durante tantos anos estão ali, e não as sabemos aproveitar

Pergunto-me se olhas as estrelas
Em quem pensas quando vês uma que cai
A quem pedes tu os desejos?
A quem os destinas?

Preciso tanto de ti
Em cada sonho que tenho
A cada palavra que escrevo
Em cada porção de ar que respiro
A cada perfume que cheiro
Em cada rosto que vejo
Em cada som que ouço
Preciso que me preenchas os sentidos

Preciso de sentir a física que nos faz embater
Visto que o abstraccionismo não é possível aqui
E no entanto é tudo tão abstracto

Preciso de olhar de novo as estrelas e saber que do outro lado está o Sol
Mais um dia, cada dia, cada sol, que espero que te traga
Preciso arrancar de mim esta saudade louca
Que me faz caír, tombar,
Que me fere, dói
Que me faz chorar e rir quando vagueias na minha mente

G.F.


Ao som de Sting - Fields of Gold

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

O menino

Ao som de: Charon - Sorrowsong

Entrei no metro, num dia como tantos outros, e encostei-me no lugar do costume. Ao meu lado uma mulher proferia palavras ríspidas para o filho (mais um miúdo irritante, pensei eu). Por mera curiosidade, olhei na direcção da criança...e foi então que o meu coração ficou esmagado de encontro ao peito, quando me deparei com a quantidade de tristeza que cabia naqueles olhos.
Era um menino rico, de uniforme do colégio, com aulas de música (a julgar pelo instrumento que trazia num estojo, um violoncelo talvez), a sua educação era impecável...mas tratava a mãe por "você" e os seus olhos verdes estavam rasos de lágrimas contidas, lágrimas que secavam antes de cair e davam uma tonalidade acinzentada ao seu olhar de menino. Não era "birra" de criança mimada, não era revolta, não era mágoa sequer...era simplesmente tristeza. A tristeza profunda de quem nunca conheceu outra realidade e se conformou com o seu destino.
Numa criança...
Contive-me para não chorar a olhar para ele. Apeteceu-me pegar-lhe na mão e fugir dali a correr!Saberá ele o que é correr? Sentir o vento no rosto e estragar os sapatos? Rebolar na relva? Subir às árvores? Brincar no meio de animais, cair, esfolar-se, encher o peito de ar e pensar que não existe amanhã? Terá ele feito piqueniques no campo? Saberá os nomes dos pássaros e das estrelas? Alguma vez terá provado mel directamente de uma colmeia ou bebido água num regato, de joelhos? Terá ele uma história de encantar e um abraço terno antes de dormir?A minha cabeça latejava, ardia. E foi com as lágrimas a turvar-me a visão que o observei a desaparecer na multidão, de olhos sérios e compenetrados, como um mar sereno...mas vazio de vida.

Morgaine (Ranzita)