segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Pairar...

Ao som de: Kate Bush - Hounds of Love

Chamaste por mim, despiste a tua alma perante o meu olhar e quase desabaste em lágrimas...
Escutei cada palavra com o coração aberto, li cada detalhe do teu rosto até ao mais ínfimo pormenor, senti cada emoção tua, no meu peito...senti-te tão perto, quase demasiado perto...

Poderia desenvolver uma tese, um ensaio, mil poemas, um romance! Mas simplesmente não consigo, nem quero, exprimir o quanto aqueles momentos significaram para mim.
Quero-te ao meu lado enquanto o tempo o permitir. É tudo o que consigo pensar ou dizer. Não me é possível pensar num futuro...nem o presente tenho garantido tão pouco! Tudo é incerto excepto o sentimento sincero que explodiu irremediavelmente.

Adoro-te assim. Sem ensaios. Sem ética. Sem lógica. De alma nua. Espontâneo.
Quero tomar-te num abraço forte. Cada pedaço de ti soluça por carinho. Cada pedaço de mim grita por ti.

Peço às forças que nos puseram no caminho um do outro para não nos traírem desta vez...agora que re-aprendi a acreditar.
Se o mundo te faltar, eu estarei ao teu lado. Porque vi muito mais do que os olhos do mundo conseguem atingir. Porque vi-te para lá de qualquer imagem exterior.
E isso ninguém pode roubar ao meu espírito. E é por isso que te adoro hoje um pouco mais...

...e um pouco mais amanhã...

Morgan Le Fay

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Nuvens Lilases

Nuvens lilases...
Bolas de sabão a rebentar no nariz...
Gargalhadas que explodem a partir do estômago!
Pó de estrelas entre os dedos...
Aquele som de "ferrinhos" no início de algumas músicas...
Caracois irrequietos a cair no rosto...
Espontaniedade...
Dançar na rua!
Olhos que mudam de cor...
Cheiro a café...
O som do piano...
Pôr do sol e areia morna...
Explosão de fogo e cor!
Borboletas a esvoaçar dentro da cabeça...
Sangue a pulsar!

Um inocente...

...ou um louco?

Suicídio...
Suicídio.

Calypso

domingo, 21 de setembro de 2008

Amo-te!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Nathalie!!!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Dor

Fico enfim só. Com o silêncio e o piar distante de uma coruja, tão só como eu.

As estrelas brilham tanto neste céu cujas cores já anunciam o amanhecer. Respiro o ar gélido que entra pela janela onde me sento. Escuto apenas. As vozes veladas que emergem da terra e as vozes gritantes que nascem em mim.

Sinto paz...aceitação e serenidade.Mas doi.Doi infinitamente e receio que esta dor nunca mais me abandone. Vou apenas habituar-me a ela, como quem se abstrai dos barulhos da cidade e aprende a dormir com eles.Ainda não tenho um caminho traçado. Não sei o que vou fazer nem como o vou fazer...mas vou sobreviver de alguma forma.Tenho a imagem do teu sorriso gravada no fundo dos meus olhos. Tenho o toque da tua mão guardado na palma da minha mão. Tenho uma doce carícia tua nos cabelos.
Tudo pode ser suportado.

Amo-te...incondicionalmente, até às últimas consequências, até ao fim dos tempos.

Não vou ser a bruxa má da minha própria história de encantar. Perdi o papel da princesa mas há mais personagens a desempenhar...
Esta noite dispo-me das mágoas e dos venenos que se colaram ao meu corpo ao longo dos anos. Amo-te assim. Como da primeira vez que te vi sorrir. Amo-te sem passado....e muito menos futuro. Amo-te apenas.Porque hoje comemora-se o dia em que surgiste neste mundo. Porque hoje comemora-se a força com que persistes neste mundo.
Hoje deixo cair a máscara e as lágrimas.
Lavo a alma.

Resta a dor. Funda. Imensa.A companheira de viagem que se acomoda silenciosa nos cantos das minhas emoções.

Morgan Le Fay

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O Pseudogrupo já tem 2 anos e 4 meses... Eheh

Sonhos

Quanto é preciso sonhar para que algo se torne realidade?
Quantas pessoas são precisas para que os sonhos se realizem?
Estava no café com uma amiga da cris e começamos a flar dos nossos percursos.
No decorrer das nossas ideias chegamos a uma idéia brilhante (a qual não vou referir) e ficámos entusiasmadas.
Será que devemos entusiasmarmo-nos ou será que devemos ter medo?
O que é que será que nos dá realmente medo? A incerteza? Mas a vida está cheia de medos, e temos de arriscar para avançar. Eu mesma tenho medo de avançar, mas temos de tentar!!
Aguardo seriamente que os anos passem e que acabe a faculdade para pôr os sonhos em marcha!

Quais são os teus sonhos? Serão realizáveis? Podemos tentar!!!

Nathalie!!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Insignificâncias

Um passo.
Escorrego no óleo dos meus pensamentos febris.
Pés descoordenados, guiados por uns olhos cegos...a linha ténue entre a vida e a morte.
O meu corpo está envolto em crude e ninguém vem libertar as minhas asas.

Música feita de lágrimas que não caíram e que se esvai por entre os meus dedos...
Palavras amargas que ainda ecoam, emoções trancadas sem possibilidade de libertação...

Alguém me apagou o caminho...
O percorrido...
...e aquele que está por percorrer...

Porque o desenhei a carvão na inocência do "perfeito" e do "para sempre" que não existem.

Calypso

sábado, 30 de agosto de 2008

...

Pânico...
...todo o meu corpo se desintegra por instantes e a visão se embacia...
Terrenos pantanosos borbulham, famintos, dentro da minha cabeça.
Neurose
Neurose
Neurose
Repito enquanto me embalo e me forço a respirar até ao âmago do que resta da sanidade.
São construções mentais.
Canto para distrair o medo.
Medo de morrer sem ter vivido.

Só.Tão só.

Ergui uma redoma de cristal em torno de mim mesma...e observo desapaixonadamente a queda cadenciada das minhas pétalas...uma por uma...
Sei que estou a cair...
Cada dia é um novo abismo. Um novo penetrar de rochas aguçadas na carne. Um novo lamento sem lágrimas. Uma nova canção de embalar para afugentar os monstros.

Caminho sobre um deserto de areias movediças... sem mar na linha do horizonte.
O rubor doentio da vergonha...o cheiro acre do medo...o calor peganhento da angústia...o sangue pisado do meu peito...o sal seco do vento que me vergasta a pele e me arranha os olhos!
Construí um colar de conchas, apanhadas outrora, que trago agora pendente junto ao coração.

Mas onde está o Mar?...


Calypso

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Para ti maninha

Partilhamos da mesma vergonha. Uma vergonha de sermos tão ignorantes. Ignorantes porque nos cortaram o contacto com a vida.
Tanta protecção não faz sentido, porque nos protejem de algo e nos empurram para outra coisa. Empurram-nos para a depressão que é libertada sob forma de lágrimas, e no meu caso, traz o sentimento de cobardia pela não coragem do suicídio.
Se as pessoas soubessem as acrobacias que fizemos para sermos minimamente felizes. A vida alternativa que tivemos de criar para sobreviver. As mentiras que elaboramos para sermos minimamente igual aos outros.
No nosso mundo, parece que a única coisa que conta é a responsabilidade e a vida confinada a uma casa, que tem que estar "mulhermente perfeita".
E se eu não quiser ser mulher como as outras? Se eu quiser ter uma casa porca?... problema o meu.
Atrasamos-nos 15, 30 minutos e o mundo já acabou.
Chegamos aos 30 anos e temos de fazer tudoa correr... ter 30 e ter 18 e 20 amos. Aos olhos dos outros somos ridículas, mas uma para a outra, estamos a ser livres.
Não te sintas sozinha pois és a minha vida! A pessoa que sempre amei com convicção. Sei que tens erros, mas eu tenho muitos também. Apesar de alguns erros teus eu contestar, eu adoro-te. O fogo ardaria no meu corpo, mas faria qualquer coisa por ti.

És a pessoa que mais amo nesta vida. És o meu sangue...

Só serei livre quando nos juntarmos...

Só serei livre quando nos juntarmos... Quando as garras da antiguidade se desligarem de mim.
Só saberei o sabor da vida salvagem quando tiver a liberdade de ser autónoma.
Vou planeart toda a minha vida para air daquela prisão domiciliária.
Adoro aquele ser humano que me suporta, mas não suporto aquela prisão galinhesca...
Tou ansiosa para saber qual é o sabor da noite sem limites. Tou ansiosa para saber qual é o sabor das ferias sem a mentira. Tou ansiosa para saber o sabor da cultura sem comentários.
Tou ansiosa para saber o sabor da minha personalidade sem ser anulada pela constante razão social.

Quero ser livre!

Nathalie

sexta-feira, 1 de agosto de 2008


Somos seres gritantes que se inundem no meio da poluição sonora.
Estamos trancados até estoirarmos os miolos em blocos de cimento.
Não se passa absolutamente nada na minha vida. Estou presa a esta rotina, mais uma vez, sem suportar esta barrulheira constante.
Estou agarrada a este sítio por obrigações futuras. Um futuro que, por natureza, é incerto. E incerto deve ser.
Há uma parte do meu corpo que anseia sair de todo o resto... a minha cabeça. Está saturada e estas duas próximas semanas, que são as que me resta neste ninho de amor, desobidiência e barrulho, vão parecer tão lentas.
Estou completamente viciada em café... viciada devido ao ciclo. Dormir, já não sei o que é. Só me apetecia parar, ver um pouco de AXN, tocar cavaquinho e dormir.
Estou mesmo saturada. Pareço uma panela de pressão, se se liberta um pouco de vapor, tudo sai a toda a força. Portanto, o pipozinho que se tira da panela é a minha folga.
Amigos já nem os vejo. Também não os vejo porque existem boas almas que nunca se dão a uma iniciativa.
Projectos... estou cansada de projectar. Quero parar.
A minha mãe teve cancro, e ainda não descansei desde essa altura... Estou a fazer uma digestão desregulada e o meu cansaço engorda...
Todo o meu eu está a ficar anulado. Não tenho tempo para mim, só para mim...
São 3h da tarde, o que indica que daqui a pouco vou ao café tentar desanuviar desta criançada barulhenta e queixinhas...
"Nathalie, a Dânia empurrou-me", "Nathalie, vem brincar ao principes", "Nathalie, também posso?"...
Mas é claro que também tem o seu lado positivo... "Nathalie, quando é que vais embora... Não quero...", "nathalie, gosto muito de ti...", "Nathalie, faz a borboleta", "Nathalie, faz-me um desenho para eu pintar"...
Tudo isto seria melhor se não estivesse a trabalhar no Mc Donalds, mas neste dia 01 Aosto, é bom ver o pouco ordenado que já entrou...
Quase não sinto o meu trablh0 no Mc Donalds... 5h à noite passam-se bem.
Estou a escrever o que estou a pensar porque não tenho aqui, agora, adulto para conversar, e já tou aficar saturada de conversa infantil. É giro, mas aos bocados.
Pela minha conversa até parece que não estou a gostar de estar aqui, mas adoro... mas os pedaços bons guardo para mim enquanto que os pedaços mais chatos despejo-os para aqui.
O meu aniversário não podia ter sido pior, mas nem tenho ensado nisso. A única coisa que fiquei a remoer foi o filho da puta do dentista. Apesar de tudo, já me encaminhou para o hospital e que venha a operação.
Somos escravos do nosso corpo... Somos estúpidos ao ponto de gastarmos um dinheirão em futilidades que nos fazem sentir satisfeitos por alguns momentos.
Trabalhamos para comer. Trabalhamos para pagar o colégio do nosso filho que não pode ficar em casa porque fomos trabalhar. Um bocado estúpido.

Nathalie

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Fechou-se um ciclo...

Ao som de David Fonseca - Haunted Home

A lua cheia está pousada em frente à minha janela. Os grilos povoam a noite de melodias. As rãs conversam comigo e entre si, nas sombras. Sinto que se fechou um ciclo.

As rãs voltaram , ao fim de tantos anos de silêncio. Os morcegos deslizam de novo no veludo do céu. Os risos das crianças regressaram à ribeira. A piscina do Lagar renasceu. Reina a paz e a harmonia. A perfeita comunhão. Acabaram as doenças. Acabou a destruição pelo fogo. Respira-se de novo. Vive-se de novo. Ama-se de novo.

Porque é que sinto então uma dor tão insuportável em mim? Porque é que me sinto tão terrível e irremediavelmente destruída? Porque é que não consigo partilhar deste momento de perfeição e ser genuína no sorriso que faço perante o mundo? Diz-me, lua que sorris de escárnio reflectida no vidro da minha janela e no fundo dos meus olhos vazios! Porquê esta sensação de estar "à margem" devido aos sentimentos amargos que me corroem e envenenam o que de bom existe no meu peito?

...

Não, não tens de responder.
Tudo pode ter voltado...mas ele partiu.

Talvez tivesse de ser assim...talvez fosse condição necessária...talvez só assim a mágoa desaparecesse de tudo o que é belo neste lugar. Quem sou eu para questionar? Quem sou eu para interferir? Quem sou eu para desejar mudar o que quer que seja?
Tenho a minha terra de volta! A pureza, a magia, o sonho, os sons, os cheiros...que mais posso eu desejar?

...

Mas julguei que este retorno do passado significasse que poderia mover as peças do jogo da vida, com as minhas mãos.
Enganei-me. Significa tão somente que se completou um circulo e foi posto um cadeado nas portas do passado. Não há espaço para mais questões nem tentativas. A vida atirou-me um duro "NÃO" à cara, feriu-me o rosto e obrigou-me a usar esta máscara de hipocrisia para todo o sempre...

Noutros tempos, quando ainda alguma esperança habitava o meu peito, revoltar-me-ía, choraria, gritaria...
Hoje as lágrimas fluem naturalmente e em silêncio...para dentro dos meus olhos.

Ninguém me verá quebrar...

Muito menos ele.

Mas ainda assim...
ainda assim...
se uma pequena fresta dessas portas do passado se abrisse com o vento...
...
trocaria tudo por mais um abraço ... mais um beijo secreto (poderia a magia desta vez resultar, príncipe sapo?) ... mais um sorriso... O Sorriso...

Tornaste-te tão cruel pra mim... ... ... tão distante, tão frio...tão injusto...
...mas deixa-me dizê-lo mais uma vez...(a última, quem sabe)...a única certeza e a única verdade de toda esta história louca que vivemos...

Amo-te

porque sim...

simplesmente...


Morgan Le Fay

sábado, 19 de julho de 2008

...

Ao som de: Apocalyptica - Faraway

Voltei a casa. Ao fim de nove meses de ausência deliberada, senti de novo o chamamento da terra. Ou do passado. Ou do futuro.

Sinto-me tão fraca...talvez devido à noite de insónia. Talvez devido ao confronto iminente com os meus medos e sentimentos negados por tanto tempo. Trancados por tanto tempo. Congelados durante todo o ano para florescerem de novo por entre a neve, com os primeiros raios de sol do Verão.

O meu corpo fraqueja, treme...parece que vou desabar a qualquer momento. Mas o espírito impacienta-se. Quer gritar. Quer sentir. Dá murros no meu peito.

Não consigo descrever a multiplicidade do que sinto. São tantas emoções contrárias a colidir dentro de mim que, de certa forma, anulam-se e desorientam-me nesta dormência. O que acontecerá quando uma das partes ganhar esta guerra interior? E qual delas vencerá? ... ... ...

Há dias atrás seria capaz de matar por um abraço dele. Agora encolho-me de medo e julgo não ter forças para subir a rua.

Agora é real. Já não é uma vontade inconcretizável. Estou perante a vida e ela diz-me : "Agora é contigo. Podes fazer o que desejares acerca deste assunto."

Sinto-me aterrorizada por saber que daqui a algumas horas o cheiro dele vai existir do lado de fora das minhas lembranças. O seu sorriso vai EXISTIR. Temo cruzar-me com ele acidentalmente numa esquina. Porque a partir daí vai ser no domínio da realidade. E a realidade é que já não "existimos". Existe "ele" e existo "eu".

E será assim o "nosso"
"...e viveram felizes para sempre..."


Morgan Le Fay

Fogo

Ao som de: Violet Tears: Doubt, Rising tide, Homecoming e Drowned

Cheira a fogo. O calor escalda-me a nuca. Sinto o espaço fechar-se em meu redor. O horizonte tremeluz abrasador lá longe. A minha mente está letárgica. O meu corpo não obedece aos meus comandos. O mundo rejubila de vida. Eu não.

Quero deitar-me no chão e deixar-me arder lentamente...e quero atirar-me à água em busca do despertar do frio no meu corpo. Quero desistir e quero continuar...em busca de uma emoção maior.

Mas cheira a ti. A ti que te perdeste nos recantos proibídos das minhas memórias. Shhh...o mundo já se esqueceu do "nós". E não vou ser eu a relembra-lo. Não serei eu a despertar o tempo.

Mas cheira a ti. Cheiras a Verão, a sentimentos doentios e estagnados, a pó, a terra e a fogo. Queimas-me a gargante. Queimas-me o corpo e a alma, como este sol impiedoso que me asfixia a clareza do pensamento.

Esta época do ano cheira demasiado ao passado. Só desejo poder parar de respirar e não ser forçada a inspirar e interiorizar, continuamente, cada emoção que tanto me fere.


Calypso

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Preciso de apoio!

Estou a concorrer ao "Live the Dream!" contest, lançado pela banda Apocalyptica. O vencedor vai actuar em 5 espectáculos com eles nos EUA durante a 1ª semana de agosto! Para chegar à final preciso de muiiitas, muitas, muitas pageviews no seguinte link: http://www.youtube.com/watch?v=zOeXkNbsSDs

Por favor dêem uma espreitadela e passem palavra...

Calypso

Obrigado e em piloto automático!!

Em primeiro lugar quero agradecer à moon shadow pela postagem das fotos no seu blog ( http://secretsofamoonshadow.blogspot.com/ ). Apenas temos de esperar para ver o resultado!

E agora o piloto automático!

Ontem voltei a trabalhar no Mc donalds... Puseram-me na caixa. "ela já sabe"... Wow mas passaram-se 2 anos desde que saí de lá...
Há 2 anos atrás a Sónia começava a namorar com o João! Há dois anos o pessoal chateou-se todo. Há dois anos o pessoal ía à psicina em Loures. Há dois anos eu estava louca para entrar para a faculdade... Há dois anos estava sozinha...
O tempo passou, a correr... garanto mas as pequenas coisas automáticas ficaram cá dentro.
Só me custou a primeira hora depois parecia que já lá estava à imenso e que apenas tinham mudado pequenas coisas. Mas juro que foram pequenas coisas que me fizeram andar atrás do pessoal tipo chata, lolol!

Enfim, foi um pequeno desabafo!

Nathalie!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Contrastes

Alta, Magra, Branca e com óculos, acompanhada de uma rapariga baixa, gorga, negra e sem óculos...

Será que os opostos se atraem ou será que são "restos da sociedade" que se juntam?
Pensemos no estudo que me falaram no outro dia... "As mulheres consideradas normativas arranbjam mais facilmente emprego em detrimento das gordas...

Porquê? Gordura é sinónimo de quê? Burrice? Estupidez? Desleixo? Desanimo? Desmotivação?
Será que não pudemos simplesmente pensar em questões biológicas? Mais propriamente questões endócrinas?... A leptina não funciona bem em todos, ok?!

Nathalie

sábado, 5 de julho de 2008

Apaixonada

Apetece-me dizer-te a toda a hora que a tua essência entrou nos meus poros. O teu rosto não sai do fundo dos meus olhos.
sinto que estamos ligados por veias extrínsecas que nos "obrigam" a estar juntos. A nossa pele desfaz-se no nosso calor e, no frio pós-emoção, as nossas células desfeitas, solidificam-se juntas.
A minha imaginação atenua o desepero de não te ter por perto. Todas as noites adormeço as sentir a minha pele imaginando ser o teu toque.
Estamos afastados pelo castigo dos deuses sobre os Homens. Estamos a lutar pela futilidade da vida, procuramos um pilar firme para nos afirmarmos, juntos, no futuro.
Velhos ventos sopraram sobre a minha face. Despertaram os odiosos sentimentos antigos mas, fazem-me ter a certeza do presente.

Nathalie

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Vou desaparecer!

Este post é, em primeiro lugar, uma revolta!
No sábado fui até ao meu refúgio. O lugar que a natureza tinha criado como um tesouro desapareceu pela mão do Homem!
Toda a beleza cristalina foi inundada por poeira negra. Perdemos a vista ao fundo e, a água milagrosa, não passa da cintura.
Mataram-te... foste o cenário de quase todas as minhas fantasias... e agora só tenho a recordação dum muro cinzento...
Gostava de saber porque é que o Homem prefere o luxo à beleza da natureza.Acredito que as pessoas, cada vez mais,preferem agradar aos ricos, que na sua maioria, não dão valor a absolutamente nada! "vamos lá encher o cu aos ricos"...
Tenho 20 anos e penso no meu futuro. Na realidade tenho mutio medo! Terei eu dinheiro para criar uma vida própria e independente? serei eu, no futuro, uma psicóloga a trabalhar em part-time no Mc Donalds? não me importa, mas é assustador pensar que 5 anos só valeram para ter um canudo imaginário, para assinar "mestre nathalie" e pouco mais...
Ainda hoje ao almoço os meus pais disseram "a rapariga é arquitecta activa e trabalha no supermercado... Tira-se um curso despendioso para se ser obrigado a trabalhar duas vezes por dia.
Vou matar-me agora... com o estágio durante o dia e o trabalho à noite, durante um mês, vou desaparecer do mapa por completo! E ainda virá, mais à frente, a faculdade... Esta roubou-me as férias com o recurso!!
Onde estamos nós? o progresso é agora retrocesso?

Nathalie

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Returnin' to mike again...

To lil' brother mike..


It's not the phase that i'm worried about... In fact I'm much of: "have it your way", than worried..

It's you, man! I know that it afects the band, but you know why? Because we're not in your life outside the band, even the girls, that's the reason... You have forgotten a rehearsal, so what? You forget two, or three, whatever, why not to compensate?... But how could you forget to warn us of such important event(s) you were going?
The point is sometimes i feel you forget us at all, that's the feeling you cause (speaking for me only, cause any knight should use his own sword, although whe're all brothers from same heart and soul), the feeling of rage for a true friend... Not the absence of your presence, But the absence of OUR presence in you...
And that's what i told you once upon a time in a final stage of your life... I was afraid of that..
You think not?
How many times a week you call us just for fun, to talk, goodnews, badnews, or to be together? That was always the meanin' of the word "café" in me... If you have another ones.. Show us... Oh that's right.. You never did show...
You have a whole wide world to grow up... And the other brothers just wanted to share it with you, cause they feel and see somethings as you do... It's your choice...

Maybe it's just my immagination...

Try to see this way... I'm tired of speakin' at you about the band problems, cause we really never shared many other life situations... (Except the old days)
I have my own projects too, other things, and i don't blame or judge other's by their own priorities... But i'm tired of that Ghostly Feeling of havin' a lil' brother to care and share life...
That's why this was started after all... To show that we don't have just simple Ghostly Feelings...
The band came much later... believe me.........


That' all about it...

KuRt CoCaInE

terça-feira, 17 de junho de 2008

To Kurt Cocaine

I'll be answering in the same language,Kurt,because I can express myself rather easily like this,too.
The objective is still there to me... I still believe that we can go far. Somethings change,some not,some are just modified a little. My dream of making great music with you guys is still there. But things happen. We have our lives,our own things to ponder.
Well, I can only speak for myself. Right now,I worry about school, about my mental health,that is,thanks to God,improving, about my parents,to who I must make an effort to be good,and to me,of course. But I must think about my friends,my own desires of playing and making music everyday, my house,which I must take care of, and many other things. Even my love life is a great part of my daily thoughts.I'll be worrying with my job soon, since I got one today, at school. It'll only start next semester, but still,another thing to manage.
What I'm trying to say is that people have things to do,to think,to ponder,to release,to express,all this and much more. But that doesn't mean that our dreams fade like that. Sure,we wished things could be done everyday,or once in a while,but that's not always possible. We try, and even that's not always easy.
I love music,I really do,but my life's much more than that. I prefer not to put all my hopes on one thing,but in many,because if that thing ends in one way or another,I lose myself. I try to have a rich life,full of everyday wonders and delights. Even if the band is not going as well as we hoped, it doesn't mean it ends,or it stops, or anything like that. It's just going through a fase,that's all.
People that live out of music professionaly take years to compose, write and record a great album that will be really good. And they have just that to do! We have much more. We seek to do this right,so we must have a little patiente.

My faith is still here,untouched. I love you guys, you helped me and taught me many things. I won't ever forget that. Our time is still to come.

I still have things to believe in. I won't give up. As long as I'm here with my Masamune, we can make the dream come true. All of us. Together.

Hang in there,Kurt. Believe in me,in yourself,and in the dream. You are part of it, and it is a part of you, too.

See, God? I'm being strong, just like you asked me to be. For You and for me. I don't think I'm worthless anymore, or miserable. Thank you.


Mike Istvan

Ghostly Feeling..

Man eu não percebo mesmo o que se está a passar aqui...
Fala-se do talvez, evolui-se para um sim, passa-se à pratica, reafirma-se a confiança, volta-se a dar as mãos, combinam-se horários e assumem-se posições...

Mas o que é que se passou aqui?
Have we lost a dream or it's just me imagining things?

What are we doing or not doing to keep you away?
Was not your dream also? OUR objective?

It's like dancin the cha cha cha with a wall..
We talk, the wall is still standing there but
All that she ears is the blah blah blah...

What the f*ck is goin' on?
I'm tired..
Tired of my own blah blah blah...
Tired of pushin' the God himself to come by me, by us all...
Tired of a dream that it just stands there
That I wish it was brother's reality one day,
A real, free and true music
But there it stands, just like a static dream...

You cannot built life on earth
Not without the organic being
or without nature itself

But I'm starting to have nothing to believe in
Therefore you cannot raise life....

The 4 Elements, would not be called the elements, if they're alone... Right?

"So tell me Cloud:
Are you with Avalanche?"

No longer my choice... Just tell me:
Is this....or was this simply a Ghostly Feeling?

KuRt CoCaInE

terça-feira, 3 de junho de 2008

...

Ao som de: Apocalyptica - SOS


O meu passado morreu. E deixou demasiados cadáveres espalhados pelos campos minados das minhas memórias. Demasiados cadáveres para chorar. Demasiados cadáveres dos quais não me consigo libertar.
Em momentos como este, deito a cabeça no peito dos corpos dos meus sonhos mortos e deixo-me ficar, aninhada sobre mim até que a solidão se molde, irremediavelmente, ao meu corpo. Sou reconfortada por um mundo devastado mas que me é tão familiar, tão seguro, tão meu...
Fujo dos outros quando só quero esconder-me de mim mesma. Displaro flechas de veneno a quem ousar parar para olhar na minha direcção, estender-me a mão...Corro como um gato selvagem até ao refúgio onde sou só eu e o vazio.
E então sinto-me só, cruel, insuportavelmente fria...tão fria como as ruínas das ilusões onde repouso e choro a cada noite.

Calypso

domingo, 25 de maio de 2008

Preciso de ti!

Tenho de te pedir desculpa.

Sei que tenho andado diferente. diferente em todos os sentidos.
Sinto os meus sentimentos congelados de forma involuntaria. Porque não posso eu simplesmente deixar o meu coração ser carinhoso para ti como mereces e como o teu coração pede?!

à 7 meses que a minha mente morreu...

Desde o dia 23 de Outubro que a minha alma está enterrada. Desde este dia que os meus sentidos quiseram cortar relações com os sentimentos.
Desde este dia que temo sentir a vida pelo susto que ela me deu. Desde este dia que não consigo desabafar com ninguém. Desde este dia que me esqueci da piada de existir como existia. Desde este dia que não me apetece partilhar os meus sentimentos com ninguém. Eu morri naquela cozinha, morri no dia da noticia.

Sinto-me acorrentada a uma mente que não me pertence. Afecto quem me ama. Afecto a ti que amo mesmo muito.

Gostava que imaginasses um corpo envolvido de um plástico que corta o som, a visão, tudo. Cá dentro existe uma mulher que quer dizer-te que és um desejo, uma necessidade. Cá dentro existe uma mulher que tem saudades "nossas", saudades duma infância reinventada por nós.
Tenho saudades da nossa infância feliz. Tenho saudadses de sermos felizes. Tenho saudades de ser como era para ti. Tenho saudades de mim.

Preciso de ti para me salvares...

Nathalie

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Insónia

Faz muito tempo que não escrevo...dias que se têm arrastado, palavras que se têm guardado, pensamentos que se têm perdido. Escrever para quê? Repetir as mesmas linhas há muito saturadas pelas emoções corrompidas e viciadas de sempre...
As horas sucedem-se num arrastar de passos lentos e gestos vazios de significado. O ridículo daquilo que vejo em mim envenena-me, trava-me, broqueia-me...a vida apodrece-me.
E o tempo não pára...e eu não consigo mover-me...
A mente fervilha, o espírito grita em tantas direcções diferentes que os ecos não permitem decifrar as mensagens contidas no seu desespero...estou cansada, estou exausta...como anseio pela noite, pelo sono pleno que não consigo alcançar...como odeio a luz cruel do amanhecer nestes dias pestilentos em que vou respirando sem viver...
Os tempos de glória pertecem agora ao passado. A estrela apagou-se. Quem me conheceu antes...se agora me visse...como ficaria decepcionado! Tantos sonhos, tantos planos, tanta fé em mim...tudo reduzido a isto em que me transformei.
Um ser mentalmente doente...
... que um dia sonhou que poderia voar...

Morgan Le Fay

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Perfeição

Para Mike Istvan

A satisfação perfeita nunca existirá num todo. Eu também nunca sinto a satisfação, exijo muito, mas a felicidade nunca existirá “mesmo”. Ela vai existindo. E é quando o sol nasce que a sentimos realmente.

Os problemas, em ti e em mim, são uma necessidade de nos sentirmos vivos e ao mesmo tempo é a nossa inspiração.

A eterna procura da perfeição é o medo de cair na desilusão das falhas.

Envolvidos na ilusão da fantasia, procuramos transpor o surrealismo para a realidade. Mas a cada passo que vamos, reparamos que ninguém vai ao nosso ritmo, a sociedade vai a um passo atrás da nossa imaginação.


Nathalie

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Mais um dilema ou outro...

Dilemas e problemas temos sempre.
Todos.É natural,somos humanos,nunca vamos ser felizes mesmo. Há sempre um ou outro que me atormenta.Além de que a minha cabeça possui a capacidade de ir buscar os mais escondidos e reconditos problemas à minha já complicada psique para arranjar sempre maneira de não estar satisfeito. Mas tenho-me habituado a viver com isso um pouco melhor,e a modificá-lo. A aceitar que,como as coisas estão agora até estão bem.
Eu sempre fui um pouco perfecionista,apesar de quem me conhecer não diria isso. Mas eu sempre pensei,desde a mais pequena idade,que tinha de ser bom. Perfeito,chamemos-lhe assim. Procurava perfeição em tudo. E quando,com os anos e as experiências,me fui apercebendo que não era bem assim,o meu espírito foi sendo derrubado,até passar por uma altura,que quase chega aos dias de hoje,em que me considerava sem valor. Era óbvio o motivo disto acontecer: tinha estabelecido padrões altos de felicidade,e alegria e amor e amizade e tudo o mais. Tinha visto filmes a mais,lido muitos romances. Eles servem apenas sonhar. Esperar eternamente que a nossa vida seja perfeita,um sonho,não dá. Porque quando nos apercebemos que não é,vamo-nos abaixo,em vez de apreciarmos o que temos,o que podemos fazer,e o que podemos ser.
Penso bastante sobre este tipo de assunto,e achei por bem publicar este meu pensamento,porque além de proporcionar talvez uma leitura no mínimo interessante pra quem passe pelo blog,achei que era capaz de fornecer uma ajuda mais directa para algumas pessoas que escrevem no blog. A vida tem dificuldades,eu sei,e não é por termos condições materiais ,financeiras,de saúde e tudo o mais que temos de estar bem. Eu sei que não é assim.Nós somos complexos. A nossa vida e tudo o que vem cá dentro tem muito mais que se lhe diga. Nós pensamos em muitas coisas mesmo,mas não podemos deixar que esses pensamentos se apoderem de nós. Acreditem,eu sei o que é a cabeça tomar conta de nós,e julgar que vamos ficar loucos porque pensamos demais,e em espiral,e nem sequer dá pra voltar a pensar racionalmente. Eu conheço o medo de pensar demais,medo de me perder,de ficar insano,ser internado por acharem que penso em coisas de loucos. Felizmente,foi apenas o medo,nada se concretizou. Mas continuar a pensar demais não ajuda muito. Talvez sirva para analisar grandes questões,e principalmente ajudar-nos a conhecermo-nos melhor,mas não melhora necessariamente a nossa qualidade de vida. Temos é de agir. Viver as coisas,aproveitar,apreciar. E isto que eu acabei de dizer foram apenas palavras,não têm força alguma para impelir ninguém a mudar de vida.
Cada um faça por si,aprenda,e mude,se assim achar que o deve fazer.
Apenas como conclusão,gostava de deixar uma ideia no ar. Se temos um problema,grande ou pequeno,queremos sempre resolvê-lo. É comum a todos nós. Mas o interessante nesta questão é saber distinguir se temos problemas ou não. Quando é que estamos bem,e deixamos estar,ou não estamos,e apercebemo-nos que temos um problema,e vamos à luta. Por isto sim,vale a pena pensar.

Mike Istvan

terça-feira, 6 de maio de 2008

Não

Não és tu.
Enganei-me mais uma vez.
Não faz mal.
Apenas não serás tu.

Perdeste a aura de encanto. Julguei que me poderia perder nos teus labirintos mas depressa encontrei o caminho...e a porta de saída. És demasiado simples. Adorável...tão adorável que me emaranhaste os sonhos num novelo e deste impulso a este coração louco. Mas simples demais para me manter apaixonada.
O máximo que tens para oferecer será sempre pouco, para mim. Só vives em palco...durante o resto tempo arrastas-te numa existência morna, comum, conformada. És demasiado morto para mim. Curioso...eu é que sou a neurotico-depressiva e no entanto tenho muito mais vida, muito mais impulso, muito mais vontade do que tu. A tua paz interior é apenas dormência...é uma pena, poderias ter o mundo inteiro...o mundo...inteiro.
É bom rir contigo, é bom aprender contigo, é bom tocar contigo, é bom ouvir-te...é bom existires na minha vida. Mas não és tu.
Pergunto-me...alguém o será?
...
...
...
Cada vez me aconchego mais e mais na minha solidão. Cada vez amo mais esta liberdade e estes sonhos que são a minha força criativa. Cada vez me moldo mais a mim mesma. Cada vez enterro mais as minhas raizes neste mundo que criei, por mim e para mim.
...

Não importa se a amargura me contorce a alma. Não importa se o vazio faz erguer ecos dentro do meu peito. Não importa se as lágrimas traçam caminhos tortuosos na minha pele, no escuro, no silêncio. Não importa sequer se me sinto a apodrecer.

Para me arrebatar é preciso destruir muralhas.


Morgan Le Fay

Mais uma vez...

Mais uma vez insucesso...
Motivo? preguiça...
Resultado? prejudicar os outros...
Real motor deste acontecimento? Sou uma pessoa de merda...

Sinto-me mal, mal, mal, mal, mal....

Sinto-me estúpida, incapaz, egoísta, aproveitadora...

De Volta ao eterno ciclo depressivo nojento...

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Só sei esperar
E acreditar é tudo o que me resta
É em ti que a minha alma é grande
É em ti que a música me toca

Por toda a raiva que te sinto
Gotas de alegria transbordam do meu corpo
Encontro-me, perdido em pensamentos
Raiva de todos os dedos que te tocam
De todas as unhas que no teu corpo se cravam
Alegria pela primeira vez que o meu olhar consciente te tocou

Nada em mim entra
Nada de mim sai
Estou encurralado neste sentido

Resta-me acreditar
Esperar e desejar
Porque não sais de mim
E eu não te consigo largar

Hoje ouvi dizer que a paixão é infiel
Que só o amor nos permite ser fiéis
Só não te sou fiel
Porque ainda não te pude amar
Porque o amor não é feito por um



Brainstorm

domingo, 4 de maio de 2008

New member

Olá pessoal do pseudogrupo.
A pedido de uma amiga, que eu aceitei de bom grado,encontro-me escrever o meu primeiro post no blog,esperando com o tempo fazer mais parte deste grupo de pessoas com bastante a dizer. Também eu tenho problemas com que me deparo,alegrias que desejo partilhar,sentimentos e emoções pendentes e activos, como o mais comum dos mortais. Talvez não tenha a habilidade de escrever textos bonitos,dignos dos melhores livros de literatura e romance,mas não devo ser menosprezado por causa disso, pois o que penso e sinto é tão real quanto o que se passa com o mais complexo dos artistas. Normalmente,a minha música,a que ouço e toco,expressa-se por mim.
Bem,despeço-me do pessoal do blog,fiquem todos bem. Todos somos importantes,a nossa voz deve ser ouvida,não nos calemos.

I feel that the time has come to project my own inadequacies and dissatisfactions into the sociopolitical and scientific schemes. Let my own lack of a voice be heard. - Waking Life

Mike Istvan

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Nada

Palavras que significam silêncio.
Sonhos destruídos pelo tempo. O tempo que é tão vazio com os dias cinzentos.
A pele é uma peça de vestuário que não se descola do resto do meu corpo. É um peso sacrificador. É um desagrado constante quando reflectido no espelho.

Estou cansada deste pesadelo real. Farta desta existência. Estou presa aos desejos que nunca se realizam!
É uma voz que fraqueja, que não tem qualquer valor e iludiu muitos sonhos.
É uma mente que se acha demasiado boa e não tem qualquer conteúdo.
É uma corpo que insiste em ser imperfeito.

A criatividade está bloqueada. Os desejos iluminados desvanecem. O medo da humilhação torna-me ridícula. A ignorância envergonha-me. As limitações frustram-me. A inferioridade faz-me chorar. As ausências fazem-me sentir culpada. A inexistência deixa-me desesperada.

Nathalie

Ao som de: 8mm - Opener e Never Enough

sábado, 12 de abril de 2008

...

Estou, lentamente, a voltar a mim. A minha alma não está à venda.
Julguei que podia continuar a ser “Eu”, mas falhei…sou demasiado adaptável, demasiado múltipla, plástica, móvel…e dia após dia fui mudando, discretamente, um pormenor de cada vez, até restar tão pouco… Fiz das músicas dele as minhas músicas, fiz da existência dele a minha vida, inconscientemente, anulei-me.
Mas ontem algo me fez despertar abruptamente deste coma! Talvez aquele cantinho especial, talvez a música, talvez as marcas das minhas unhas na minha própria pele, talvez o vento… Percebi que me sentia perdida, não por não o ter, mas por não me ter a mim.
Suicídio! Estava a suicidar-me por ele! Por ele que nunca me pediu nada. Ele que pode dar-me as armas para continuar a crescer no meu sonho, ele que traz estrelas por entre os dedos e as espalha nas minhas mãos…
Estou magoada sim. Estou derrotada. Mas estou viva! E tenho o meu espírito comigo. Recuperei a minha sombra, o meu reflexo no espelho, o meu caminho.



Aquilo que me move é maior do que os teus olhos cheios de céu e mar. É mais forte que o pó de estrelas que te brilha nos cabelos e mais reconfortante que o calor das tuas mãos nos meus ombros. O que me habita só é comparável ao movimento dos teus dedos em delírio, ao som que fazem nascer… Não abdicarias disso por nada nem ninguém! Da mesma forma não posso renunciar ao que sou. Nem mesmo por ti que me arrancas o coração do peito e o deitas a voar, como um papagaio de papel ao vento. Se me negar, morro. Não passarei de uma fotografia à chuva, a arrastar-se pelos dias, sem cor nem brilho.
Eu acredito que os nossos abismos podem unir-se, criar pontes. O dia e a noite partilham a aurora e o crepúsculo…e não é perfeito quando a luz e a sombra se encontram? A chuva e o sol erguem o arco-íris, o mar impetuoso beija a terra serena…Eu acredito que é possível!
E se não for…tenho-me a mim. Tenho-me a mim que sempre amparei as minhas quedas, cantei canções de embalar para sossegar as noites de desespero e fechei feridas que sangraram durante anos. Tenho estas mãos que me ensinas a expressar, tenho este peito aberto, este espírito irrequieto, esta paixão!
A minha alma não está à venda por preço algum…
…mas posso partilhá-la contigo, se um dia a quiseres transformar, irremediavelmente, em música.


Morgan Le Fay

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Cada passo!

Cada passo em frente, um desvio de olhar pelo passado, e temos o pensamento de pena e desprezo.
Cada passo ignorando olhares desprezíveis.
Cada passo imaginando o futuro iluminado de esperanças que nos aquecem a alma do existir.
Cada passo desejando o sucesso e a glória.
Cada passo a evitar a lágrima da ex-dor.
Cada passo a amar-te incondicionalmente.
Cada passo a lembrar os dias dos outros.
Cada passo a imaginar-me sentada a olhar o nada e a pensar no imaginário.
Cada passo a lamentar o meu egoísmo e imparcialidade.
Cada passo a remoer a minha nova defesa.
Cada passo a tentar entender a minha frieza.

Nathalie

domingo, 6 de abril de 2008

domingo, 30 de março de 2008

Um grito...

Ao som de: Rita Redshoes - Choose Love

Em silêncio a observar o mar azul petróleo, sonho-te. Por entre o rumor das ondas que explodem, sonho-te. Através da areia crepitante de conchas que piso, sonho-te. Sonho-te. Sonho-te. Vivo a sonhar-te. Com cada expressão do teu rosto e do teu corpo permanentemente a surgir na minha mente.
No suave brilho alucinogéneo do sol espelhado na água, vislumbro-te. No zumbido do vento nas rochas, ouço-te. Mas gotas de maresia que polvilham o meu rosto, sinto-te.

***

A esta hora estás a tocar. Tens o cabelo a cair em cachos em cima do teclado. Os olhos fecham-se quando atinges "aquela" nota. De vez em quando soltas a voz e tudo fica suspenso. Todas as palavras murmuradas para o lado, cessam. Todos os copos ficam estáticos em cima das mesas. Todos os olhares se prendem em ti. Todas as mãos se erguem num aplauso sentido, quando terminas e sorris.
Não. Hoje não estou a ver. Não estou aí...mas basta-me fechar os olhos. Basta-me fechar os olhos...e vejo-te. O teu elástico azul no pulso, o microfone sempre a fugir, a madeixa que prendes atrás da orelha, a vibração do teu corpo enquanto te deixas envolver por completo naquilo que mais amas.
Abalaste todas as minhas certezas, todos os caminhos, antes tão certos e tão definidos...fizeste tremer o meu chão, abriste frestas na minha vida, vazios que eu nem sabia que existiam, mas que agora só tu podes preencher!
Mas que posso eu fazer? Resta-me a espera. Interminável. Incerta. Fria.
Resta-me ficar suspensa no tempo da mesma forma que fico suspensa na tua música...e acreditar. Acreditar!
Toca...toca...toca...canta...canta...toca e canta...estou a ouvir...eu ouço-te por entre a distância, por entre a saudade...toca que eu escuto, cada som, cada expressão, a violência da tua paixão, o homem calmo e racional que se transforma, enlouquece, explode, recria, apaixona, vibra, grita...eu ouço esse grito desesperado de quem quer mais...muito mais...mas não ousa sonhar com medo de sofrer, não ousa arriscar com medo da dor.
Em quase tudo na tua vida, arriscaste, lutaste e venceste. Não desististe do teu sonho, como eu fiz, não seguiste a estrada mais segura, não viajaste junto à costa, seguiste de olhos postos no alto mar. E por tempestades e calmarias, encontraste o teu lugar, para lá do horizonte, onde o sol nasce e adormece no teu rosto, e brinca nos anéis do teu cabelo.
Mas quanto ao teu coração...deixaste-o para segundo plano, não foi? Que turbilhão é esse que sinto por detrás do teu sorriso sereno? Que incerteza é essa no teu olhar, quando conversamos e confessas nunca te sentires satisfeito?
Porquê então? Para quê então?!
Um sentimento ameno? Um chão seguro? Uma casa de paredes fortes, inabaláveis, mas frias? Um hábito confortável?
Onde está o "louco" que dá tudo de si em palco? Onde está a emoção extrema que dispersas? A energia contagiante?

*respiro fundo*

Quero despertar-te.
Quero que percebas que, uma sensação má, é ainda assim preferível a não sentir coisa nenhuma!
Quero descontrolar-te! Quero destruir o teu patamar de segurança e fazer-te voar! Voar!
A vida real pode ser música.
A vida real pode ser música!!!
Quero compor uma banda sonora para a tua vida e arrancar-te lágrimas e sorrisos de forma incontrolável e desmedida, quero que tremas! Quero que caias exausto e dormente!
Quero fazer da nossa realidade...música!


Morgan Le Fay

domingo, 23 de março de 2008

Casados


Os anos passaram por eles, outrora cheios de vida, vivem hoje presos aos sonhos que julgaram sonhar.
Ela nunca o quis tão pouco como agora, ele nunca lhe sentiu tanta falta.
Dormem na mesma cama, mas têm sonhos separados, partilham o mesmo quarto com as suas mentes em quartos diferentes!
Já não se tocam como antes, ela acorda lentamente para a vida que sabe ter dentro de si, ele, ele sabe que ela é a sua vida.
Os frutos estão criados, paladares refinados durante vinte anos são agora maduros para se assumirem como seres autónomos, são filhos de quem já não se ama, mas amam-nos como um só!
Escondem alegrias um do outro, não partilham senão mágoas e tristezas!
Ela acordada vive-lhe presa, ele gira o seu mundo à volta dela, morrem lentamente, presos ao comodismo, até que a vida os separe!


Texto por Brainstorm

quarta-feira, 5 de março de 2008

Insensatez

Ao som de: José González - Heartbeats


"...queres vir comigo?..."

Caminhamos...caminhamos lado a lado durante um tempo infindável...
Lado a lado, a luz e a escuridão, o príncipe encantado de longos caracois louros e a mulher de negro...
Abres a tua vida como um livro...folheio devagar cada página...
Fora de paredes que nos condicionam a um estatuto limitado, somos apenas dois seres humanos que se entregam a pouco e pouco em palavras, que se absorvem um ao outro e trocam sorrisos e gargalhadas, sem regras nem ética.
Fazes-me caminhar numa corda bamba e nem te dás conta...não terás tu noção do teu valor? Não perceberás tu o perigo a que nos estás a submeter?
De cada vez que dou um passo em falso e a corda balança...seguras na minha mão...
Não sentes a minha pele queimar?
Apaixonaste-me. Não percebeste?
És tão real...tão tangível...tão humano, no sentido mais simples da palavra.
Entre um cigarro e outro convidas-me para te ir ver tocar de novo.
Já não há espaço para jogos de hesitação. Vou!
Entreguei a minha alma. Não suporto sequer pensar no fim, tão eminente e tão nítido.
Nego...nego que é um sonho...nego que jamais estarei mais próxima de ti do que simplesmente lado a lado...
Tenho de negar para conseguir sobreviver...hoje que voltei a sentir bater aquele pedacinho, há muito dormente, no meu peito...hoje que me libertei de demónios antigos...

Sozinha, cantei e ri na rua, como uma louca. Corri pelas escadas, toda eu a dançar por dentro, ao som do movimento dos teus dedos no piano.

Ponderei atirar-me para a linha do metro.
Agora que tudo é perfeito.
Não quero dar-me a chance de voltar a sofrer. De voltar a ser dilacerada.
Quero morrer feliz...

Não largues a minha mão...canta para mim enquanto danço na corda bamba...e quando cair, que seja nos teus braços...

Morgan Le Fay

terça-feira, 4 de março de 2008

utopia


Encontrámo-nos, velhos, perguntaste-me se a minha vida tinha corrido bem, respondi-te que desde o dia em que me tinhas morrido no peito consegui deixar o teu corpo para trás.
Olhaste para mim, ambos temos as feições cansadas, corroídas, rasgadas pelo tempo, tempo que não me chegou para te ter, tempo que não te chegou para me veres. Conversámos como nunca antes, contei-te os corpos aos quais dei prazer, contaste-me os que te deram prazer a ti... rimo-nos da insignificância que todos tiveram, da forma como os usámos todos.
Quando falámos da velhice, contei-te que a dada altura te imaginei a meu lado, e que afinal até estavas, mas não como eu queria... reparámos que as nossas vidas divergiram, andámos, matámos a sede nos mais ricos lagos, e que velhos, gastos estávamos ali...
Apercebi-me que ainda tinha a marca do teu cadáver sobre o meu corpo, que o peso das tuas mãos nunca me saiu dos ombros, que o beijo que em sonhos me deste no pescoço ainda me deixava sem respirar... olhei nos teus olhos, cansados de olhar o mar, fitei os teus pulsos, vi que já não me lembravas, reparei porem que o meu sangue ainda te pertencia, desde revoluções remotas no meu corpo, autenticas batalhas travadas na mente, todo ele tendia para ti, como metal atraído pelo teu magnético ser.
Queria mentir-te então, dizer-te que desde que morreste nem mais uma noite sonhei contigo... mas não conseguía, reparaste que ainda me tinhas por inteiro embora tu não desses nem metade de ti... Quis sair, virar-te costas, talvez me perseguisses como em sonhos, talvez ficasses sentado a ver-me ir, de qualquer maneira, queria deixar-te para trás, enquanto desta vez, eu, triunfante te escapava a ti...
Nós, velhos, cansados, gastos, caídos, ainda existimos na minha cabeça, ainda me vais pesando o peito, e ainda te trago às costas!

Texto por Brainstorm
Foto por Cristian N.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Queimado

O teu corpo está a ser queimado.
Depois de torturada a tua pele, é a vez do teu interior se queimar até à morte.
Penso em ti a cada segundo...
Sem religião certa recorro ao meu anjo da guarda, que outrora fora vivo, para me auxiliar na vida.
Depois da impotência só nos resta a fé. E essa fé não é alimentada quando vemos a lógica a desaparecer. A ordem natural das coisas não devia ser mudada, mas o Homem já condenou demais a natureza...

Nathalie

Luto

Estamos de luto a perdermo-nos na incensatez de absorver a dor de outrém.
Estamos presentes mas a cabeça está no medo.
Derramamos lágrimas egoístas, que não nos pertencem.
Escutanmos o desespero do próximo e, como míseres seres humanos que somos, sentimos a impotência de estarmos condenados às regras dos sábios.
Lamento a tua perda, e gostava que o sentisses mais, mas existe uma barreira que me obriga, nos dias de hoje, a congelar as minhas veias.

Nathalie

domingo, 2 de março de 2008

raintime.

devia ir embora. ou devia ficar. ou devia não fazer absolutamente nada.
devia... devia, sobretudo, fazer o que tenho tentado fazer. afastar-me. distanciar-me. aproximar-me. socializar. mover-me noutros meios. ser totalemnte livre dum passado que aqui teima em permanecer acima do que sou.
devia deixar-vos. deixar este lugar que é a minha casa e que me magoa. que me dói, todos os dias.
devia eu mesma esquecer o que a minha vida foi e começar uma nova. (re)começar do zero. ser totalmente eu, longe do que sou.
estou a ser incoerente?
confundo-vos?
preciso de saber "quem sou. o que faço aqui."
ao longo de todos estes anos, partilhei tudo com vocês. neste momento nem sei se posso confiar-vos alguma coisa. tenho a certeza que falam de mim quando não estou. que decidem quem é que vai falar comigo. quem é que me vai chamar a atenção disto ou daquilo. tenho a certeza que para vocês estou totalmente errada. e, não preciso disso. não preciso de ser julgada. condenada. crucificada.


After you've left behind
Your chances and dreams
You realize and ask:
"What does it mean?"


[sonyahougardy]

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Clockwise

O tic tac incansável do relógio mal me deixa pregar olho
Ainda estou a pensar nas nossas conversas,
Da maneira como descreves o meu ''perfume masculino'' e do que ele te faz,
No fundo do que eu te faço...

Queria acreditar que estar contigo seria o mais certo
Mas não quero estar contigo pelos motivos errados,
Por todos esses e mais alguns não dá,
Ainda estou partido, tal como eu desejava que o relógio estivesse

Tic-Tac, tic-tac,
E acaricio o corpo quente que junto ao meu se deita,
Quando um gato é o melhor que se arranja numa noite fria,
Sabe-te pelo mundo
Saberes que não estás só, no mínimo, provido de companhia irracional

Tal como isso que senti, irracional, fugaz, queria eu
Fugaz, espero que assim seja para ti,
Não suporto ver a minha imagem corroer-te o intelecto
Tão brilhante, cheio de razões,

Tic
Mais segundo, menos segundo, sinto-me voar nos teus sonhos,
E eu que só queria dormir,
Tac
Voo-te também, talvez fuja,
Acredito na tua pureza, mas já não confio na minha



by
brainstorm

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Excertos de momentos perfeitos

28.01.08

[...] entraste em palco e imediatamente antes de começares a tocar...olhaste para mim. Tanta gente em teu redor, à espera da primeira nota mágica...e foi na minha direcção que olhaste. Sorri...mais surpreedida que envergonhada, a tremer da cabeça aos pés.
Foste...como descrever? Magnífico?...
Eras quem mais brilhava...a tua entrega, a tua paixão, o teu encanto...
As minhas emoções oscilaram entre limites absolutamente impensáveis, naquela noite...roubaste-me um sorriso quando puseste um malmequer amarelo no cabelo, roubaste-me uma lágrima (que engoli) quando tocaste a "Let it rain".
Encheste o palco. Encheste a sala. Encheste o mundo. Aquela noite transformaste tudo em música...

30.01.08

"Sabes, mais importante do que tocar rápido é tocar bem. Mas às vezes, em palco, são as pessoas, são os outros membros da banda, entusiasmo-me e quando dou por mim estou a partir tudo! Às vezes tenho a sensação que faço mais barulho do que música..."

Voz travada mais uma vez. Queria ter-te dito que adoro o teu entusiasmo (apesar de ter temido pela integridade do equipamento...), que não acho que seja barulho, que é perfeito, que a tua entrega e emoção é que dão sentido à música...mas fiquei calada e sorri apenas.
Sinto-me tão pequenina, tão atrapalhada...tenho tanto medo de dizer asneira, de errar, de deixar transparecer o descompasso deste coração louco e suicída. Quero tanto parecer bem aos teus olhos que acabo por me comportar apenas como uma menina insegura. Uma menina sonhadora que troca os dedos de cada vez que respiras mais alto ou te moves na cadeira.
Queria que me conhecesses verdadeiramente, mas não sei até que ponto estás interessado em conhecer alguém como eu.

19.02.08

"Tens horas? Engraçado...eu normalmente tenho uma boa noção do tempo mas nas tuas aulas, não sei porquê, perco sempre um bocadinho a noção da hora..."

O que poderia eu responder a isto?
...
Flutuei.
Ainda estou estupidamente a flutuar.
Porquê?
Por...nada!
Por uma afirmação banal e totalmente inocente.
Por uma simples frase capaz de abrir de par em par os portões do meu mundo de fantasia.
É tão fácil.
Tão fácil abri-los...
Simples demais abri-los e deixar escapar os sonhos mais inconsequentes.
Mas atrás dos sonhos vêm também os monstros e, invariavelmente, acabo sempre magoada e desiludida.
Quando?
Quando é que arranjo um cabo de segurança?
É tão ridiculamente fácil quebrar a minha ligação à terra...

Mas hoje só quero voar.
Voar antes da queda.


Morgan Le Fay

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Sorry, my dear

Oh, I'm sorry, my dear
I didn't mean to interrupt
Your moment of love...
I'm sorry, my dear
If I disturbed you
While you were fucking her

Oh, forgive me, my love
If I ruined your night of sex
I know I'm acting just like
A typical -ex!

I'm so sorry, my dear
For calling you at this time
It's late, I know, my dear
But I'm not doing fine...

I'm so not doing fine!
And I needed to open my heart
Speak to you for a while
Body sore, blinded eyes, aching soul, broken smile
I needed your attention
To feel you by my side...

Oh, I'm sorry, my dear
It's me again...hello...
I have something to tell you
I just thought I should let you know
That I never learned to let you go!

And, I'm sorry, my love
But I'm not sorry at all
For calling while you're between her legs
Actually, I'm glad
If I spoiled your plan!

'Cause I'm not doing fine...
I'm so not doing fine!
And I needed to open my heart
Speak to you for a while
Body sore, blinded eyes, aching soul, broken smile
I needed your attention
To feel you by my side...

Oh, I'm sorry...my dear...
I don't love you, I'm just sick
It's the nervous breakdown
That makes my emotions shout
This loud!

Oh...forget it, my dear...
Just forget it, my dear...
You're nothing but a clown...
You're nothing but a clown.


Morgan Le Fay

domingo, 10 de fevereiro de 2008

ridaagram21_

por favor_não pensem tanto na merda_

estamos aki para alguma coisa_:)
e não isto não é cliché:)

______________não estamos mortos_se estivessemos no limiar disso, lá vinha o malukinho do saw 1 2 3 e 4 provar-nos o contrário:)
n é vdd?:)

"qdo não existe passagem para akilo que keremos, crescer implica encontrar alterantivas"
ass: me myself and i

_ps: porque a insatisfação nunca irá desaparecer_já é defeito de fabrico_:)

MAR_______._

nearatreethere'sariverandaholeinthegroundandoldmanofarangoesaroundandaroundandhismindisabeaconintheveilofthenightforastrangekindoffashionthere´sawrong

O Sol


Lava de vapor
Pasta de dentes em bola amarela
Quente em quatro quartos fumegantes
Constante de calor em cabeças febris
Pai de sacrifícios e tribo sem filhos.
O vermelho teve em ti, linha do horizonte
Como se a fúria só pudesse ser quente:
Tiveste doença de borbulhar, como calorífero do mundo.

Mergulhas em reflexos de todas as auroras e,
Em todas as marés amarras as aves, os peixes e as sereias
Ao tecto do teu hemisfério
E convida-los a todos para sinalizarem contigo a manhã
(mas só eles)
Porque ainda existem alguns humanos que dormem
Enquanto tu respiras.
Sob o teu corpo de fogo as ruas nascem rectangulares e cegas pela claridade
E o piso tranforma-se em conjunto de ladrilhos de laranjada.
Ao mesmo tempo, vemos crescer campos cor-de-limão
E nuvens de um branco –flanela.

No fim, saboreias o globo em segundos
Devoras o passado e rasgas o “agora”
Vestes o casaco e sais do azul.
No entanto, o teu parto nobre, tem preço alto a pagar:
Lutas com a lua,
Despistas relógios,
Mudas o tempo,
E estacionas as estações como quem joga às cartas
Desenhas sombras de maresia na praia
E ocupas o cenário antes granítico e escuro da noite.

Levantas-te e partes teclados de piano, para poderes
Escutar os grasnados de rapina de tudo o que nos circunscreve
Só nesse instante sabemos que já acordaste
Porque é nele que matas em segundos todas as estrelas
Em que tu, luz maior pisa-las com cor
Porque elas são miúpes,
E tu, não.


apeteceu-me_o sol nasce daki a 6 ou 7 horas_

MAR_

a caminho_11_

A Caminho de_ (poema num dia frio)

O frio cortou-me as extremidades do corpo e descoseram a pele
O membros caíram inertes no chão e ficaram congelados
Ao andar voaram as falanges com ventos de pólos norteados de branco
As mãos estalaram dentro de dois bolsos e por lá ficaram aquecidas em sangue do tecido do meu casaco, sobrando para a minha anatomia apenas dois cotos disformes
Os braços nesse momento decidiram ficar estácticos para sempre, porque sem mãos prometeram que faziam pausas no movimento e se divorciavam do tacto.
Nos meus seios formou-se leite de estalactite, gordura de àgua que se ia descolando do tórax, ficando à descoberta apenas o externo da costura e dois pulmõs em dois sacos de plástico magenta.
Do útero em decomposição periódica viajavam limos de sal coagulados e muita brancura seca como estes dias de sol.
Os olhos descolados das crateras, o cabelo empalhado pela electricidade estáctica e as axilas quentes como se estivesse febril do tempo.
Tudo branco no roxo; cada pedaço talhando-se do corpo, cada linha e carne vestida de cieiro e lábios agrafados a quente.
Peles de dedos roídas, sangue estanque, cortes de papel fino, bafos de vapor da chaleira da boca, macacos secos no sotão do nariz de àgua, coxas inertes na ganga, mamilos erectos, vagina contraída, joelhos negros e pés a sentir o chão dos sapatos.
No percurso da escada rolante perdi também as unhas e um outro botão do meu casaco.
O tecto das amigdalas inchadas, ranho de cobrir a cara com muitos lenços afogados na mão.
No percurso da escada rolante o sol encarregou-se também da minha cegueira, que cansada de procurar os pés do passageiro da frente, enfrentava apenas as veias do pulso azuis caídos ao nível dos pés, como se procurasse os ponteiros no piso do comboio.
Percebo o desenho das linhas paralelas da tal escada rolante, e desço-a. Chegando ao metro onde me junto aos bocejos da manhã, já só me sobra da decomposição a cabeça, o pescoço e alguma articulação desajeitada da origem que me foi dada no ano zero de mim.
Percebo o trajecto a frio, entro para dentro da carruagem subterrânea e está quente.




lembrei-me desta merda q escrevi com 15 aninhos_porque uma menina de 15 aninhos me telefonou hoje e eu parecia que tinha 8_:)
fisicamente explicito qb...qd tiver qq coisa melhor escrevo. só para não pensarem q não penso em vocês_lolol
jinhos natas e manuel:)


MAR_

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Que pode um louco dizer de outro louco?



(Para a *sonya)

Não que a vida do louco esteja ausente de pecado real, ambas a realidades são diferentes, embora haja caminhos que percorremos sós com a companhia de alguém em nós...

Nunca deixaremos de ter portas que não se podem voltar a abrir...
não que a intenção seja voltar, mas sim reconstruir... E por melhor que seja a intenção, simplesmente não é possível...

Tu sabes o que sentes quando tentas voltar a abrir uma porta e só tu sabes o que é aquela porta não poder voltar a abrir...

Olhos reais fixam-se em ti.. Onde pensamentos de loucura são atribuídos ao teu ser e serão sempre...
E então? Que porta abro eu agora? Quem tenho comigo e em mim no caminho que piso hoje?

Podes simplesmente ver-te como aquela louca por outros loucos criada...
Ou fazeres tu a pergunta:

Que pode um louco dizer de outro louco?

KuRtCoCaInE
Beijo

Cut.... and No Paste... Please!!



"It seems that my guitar has no more sound in this kind of world..."

(...)

A morte... Assunto tenebroso, e temido por muitos ao longo de eras...
Porém...
Há sempre uma pequena minoria que seja por admiração, fascínio, loucura ou depressão que vê nela um final.. Não um final mesmo em si, algo literal, mas sim uma passagem...
Onde alguns vêem medo, outros olham para esta incógnita personagem como a sua única salvação...

"Sempre morei perto dela... Vivia o meu dia-a-dia a dizer-lhe boa tarde, a passar por ela como se fosse uma espécie de vizinha minha, sem exercer sobre ela nenhum juízo a não ser simplesmente, simpática...
Talvez daí nunca me fazer impressão uma conversa com ou sobre aquela vizinha responsável e honrada que apenas faz o seu trabalho em cada carpe diem que existe...

Talvez seja por isso que hoje não choro, nem desespero por não a ter... Apenas vejo-a como qualquer vizinho que vemos dia após dia...
Mas é curioso... Apesar do que se possa pensar, ela não vive só...
A sua companheira, talvez até irmã de alma, também vive no mesmo apartamento... Olhando pela janela, permanecendo inocente no seu ser...

Só a vejo de vez em quando... É aquela VerdadeIntrinsecaDemasiadoAmorosa, que ninguém consegue ou conseguirá alguma vez interpretar...

Hoje, é tão raro eu ver essa companheira de quarto, que por vezes a única coisa que pretendo é ver a cada momento a tal vizinha de nome tão temido...

Esta, não me aterroriza nem admiro... Apenas gosto de conversar com ela e ver o seu olhar para me lembrar com quem convive...
A única razão que pela qual a temo, é a possibilidade do seu toque quebrar o elo que me une com o sentimento da sua companheira...

Parece que ela e o seu toque mórbido é o único refúgio, e gostava que se tornasse tão prático quanto um interruptor que ligo e desligo quando quero na minha existência...

Não pretendo o seu beijo final em mim... Mas o terminar do linguado em que o Mundo exterior nos embrenha..."

KuRtCoCaInE

sábado, 2 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

A casa


Um pedacinho da "tal" casa


Morgan Le Fay

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Aula II

Ao som de: Spelling Nadja - Show me dreams

Mordo o lábio enquanto tocas.
Baixo o olhar para o teclado quando sinto os olhos repletos de lágrimas. Não posso chorar. Não me podes ver chorar. Não, não, não!
(Estás a perceber até agora?)
Aceno que sim com a cabeça. Por instantes tinha-me perdido em pensamentos vagos e deixado de tomar atenção aos acordes.
Abandono-me à melodia e aos movimento dos teus dedos. A emoção toma conta de mim. Ficaria suspensa em momentos assim, se me fosse possível. Mas o relógio não pára. 60 minutos semanais.
("RRáquêl", sabes que eu não gosto disto assim...temos de andar para a frente com isto!)
Não estás contente comigo. Isso desorienta-me ainda mais. Sei bem que não tenho correspondido às expectativas...mas eu não sou como tu! Sou instável...demasiado dispersa...
Toca apenas! Deixa-me ficar a ouvir. Não páres para me recriminar. Hoje a angústia que sinto é física, palpável. Só quero ser submersa pela tua música, por ti...hoje a solidão que tenho em mim é insuportável...
(O que é que fazes sábado à noite?)
O véu que se havia formado entre os meus olhos e a realidade levantou-se bruscamente. Balbuciei "Hum?".
(O que é que fazes sábado à noite? Era para te fazer um convite. Vou tocar num bar e era pa ires ver o género de música que eu realmente toco...às vezes tem-se uma ideia errada do professor...)
Cabeça entra em turbilhão.
Alargar a tua presença para lá das paredes da sala de aula?
Transportar-te para o mundo lá fora?
Inserir-te na minha realidade quotidiana?
Quebrar por momentos a relação professor/aluna?
...
Como desejo ir...
Eu sei o género de música que tocas. Acerca disso não alimento ilusões. Aquilo que ouvimos é tão semelhante como o sol e a neve.
Mas não importa. Quando fazes soar o piano tudo se transforma, tudo se relativiza, quer toques o "Malhão, malhão" ou o "Atirei o pau ao gato".
Quero ir! Quero sentar-me no escuro, na multidão...e ficar horas a ouvir-te e a escrever sobre cada movimento que fazes, a contar o número de vezes que o cabelo te cai para o rosto, a interiorizar as tuas expressões...a sonhar-te em segredo.

Contraio-me por dentro.
Engano-me nas notas.
Volto a enganar-me.
Corriges os meus dedos gelados e inseguros.
Aproximas-te.
A tua mão cai-me para a perna acidentalmente.
Estremeço.
De perfil os teus olhos são verdes. De frente são azuis. Mais uma ilusão, como tudo o que vive em mim.
Tictac tictac tictac
(...e pronto...próxima aula quero isto feito)
Não. Ainda não. Mais um bocadinho. Toca mais um bocadinho.

***

N.- Uma frase desta música diz: "A real woman knows a real man always comes first" É um bocado machista.
E hoje em dia já não é nada assim! O que é que vem em primeiro lugar numa relação?
Eu- Tudo, menos...
N.- ...a outra pessoa!
Eu- Exacto...
N- Temos de fazer aquilo que gostamos, o que nos faz sentir bem...Tenho colegas que se a namorada pedisse "Ah...deixa a música...e mais isto e aquilo" Xau xau!
Eu- Pois...eu a partir do momento em que me apetecia mais ir para a clínica do que estar com o meu namorado...fui para a clínica...
N- ...estas coisas às vezes são complicadas...
Eu- São sempre complicadas.

E cada vez mais.
Cada vez mais.
Enterro-me. Cavo a minha própria sepultura. Com as minhas mãos.
Perco-me.
Deleito-me com a magia do impossível, do abismo...
Sábado...
...sábado...
Ir é consagrar-me perdida.
Não ir é fugir.
Ir é ferir-me com a minha inconsciência.
Não ir é ferir-me em plena consciência.
É mais uma cicatriz garantida.
Divirto-me a fazê-las e a coleccioná-las.
É a única explicação plausível.
Sou louca.
Ou estou louca.


Morgan Le Fay

domingo, 20 de janeiro de 2008

the brutal art of lying.

Apercebi-me hoje que a idade me deu um enxerto de porrada. Ou a idade ou aquilo que fui fazendo ao longo destes anos. Não foram assim tantos, eu sei, mas há dias em que 21 anos já pesam demasiado. Eu nunca acreditei naquela treta do: "tudo o que dás recebes a dobrar." Mas, a cada dia que passa, apercebo-me que sim. Tudo tem consequências. As marcas ficam. Nódoas negras, profundas, na pele. Tenho o corpo dorido. Cada movimento implica uma dor profunda.
Sempre conduzi a minha vida à velocidade das coisas que nos faltam. Que nos fogem. Sempre me deixei levar. Conheci Al Berto e perdi-me nas suas viagens, nos seus desvaneios, na sua força (ou fraqueza)de querer viver tudo intensamente. Não perder nada. Seguir todos os caminhos. Amar. Saber amar de todos, o seu melhor. Saber encontrá-lo. Usar isso para sermos mais felizes instantaneamente.

- Pára.
- Respira fundo.
- Construiste a tua vida numa mentira.
- Falhaste muitas vezes a pessoas que gostavam de ti.
- Falhaste mais vezes ainda ao cumprimento dos teus objectivos.
- Enumera as razões que te levaram a isso.
- 1 razão.

- Egoismo? Não......
- Não sei.
- Sabes.... Aí, bem no fundo. Sabes.


Tudo tem consequências.
Tudo tem consequências.
Fumar um charro. Preciso de drogas para pensar. Preciso de me acalmar. Preciso de concentração. Preciso de me acalmar. Preciso. Preciso de paz. Não. Consciência tranquila. Preciso de ter a consciência tranquila.
Eu sei.
Eu sei.
Penso.
"And we fall into this. We fall into this. And we fall into this. We fall."

Não consigo estudar. Não consigo dormir. Não consigo parar de tremer. Não consigo parar. Quero desligar o cérebro e não consigo.
Fumo. Fumo muito. Deito-me tarde. Ontem bebi até quase cair para o lado. Mandei uma mensagem à M. a dizer: "Olha M., sim. Comi o gajo. Comemo-nos. Foi muita bom. Não percebo o que é que tens a ver com isso. Não te contei. Menti-te. Não queriamos que ninguém soubesse. Eu sei que me pediste para não o fazer, mas queriamos os dois. Aconteceu e eu estou-me nas tintas para aquilo que tu achas. E se não quiseres voltar a falar comigo estás no teu direito. Tasse benne. Xau."
Tive que o fazer. Não suportava já mais o peso de uma mentira. Não quero mais mentiras na minha vida. Não quero. Não preciso. Já menti demais. Já não aguento.
O P. disse-me uma coisa que me deu a volta à cabeça: "Ele não confia em ti." Não é que eu já não o soubesse. Só que nunca o tinha assimilado. Foi uma facada no peito. (já explico!)

Pausa.
Consegui dormir. Provavelmente do àlcool ou da droga, sei lá.
Gosto de acordar de manhã, com uma ressaca do caralho, enroscada em mim mesma. Lágrimas nos olhos. Pensar naquele gajo que me fode a cabeça toda.
Ao acordar tenho que ouvir uma música qualquer. Hoje foi Counting Crows.

“Says she's thinking of jumping
She says she's tired of life
She must be tired of something”


Estou mesmo.

Round Here.

Estava yirada para a parede. Rodei sobre mim mesma, para o lado direito. Olhei para a janela e vi um céu azul imenso e brilhante entrar me pelo quarto adentro. Pensei: ‘ Levanta-te, caralho! Já chega desta merda!’ Levantei-me, liguei o messenger, combinei com o P., vesti-me, fiz uma sandes, saí para a rua. Esperei-o sentada no muro, branco-velho, da casa da minha avó. Fomos para a esplanada. Uma tarde normal. (qualquer dia gostava que viessem partilhá-la comigo.) Estava a falar com o P. Tenho uma faca espetada no peito. Temos os dois, sim. Mas eu queria contar-te o que é que se passou. E contei. O J. Sim. Gosto mesmo dele. Mesmo. No outro dia veio falar comigo e pediu-me se podiamos ir sair um bocadinho, porque ele queria falar comigo fora da internet. Estivemos a falar no miradouro do castelo. - Vista para o vale do Tejo. Lisboa ao fundo.

- J: "Gosto muito de ti, mas a minha vida não dá. Não acho que consiga dar-te aquilo que procuras."

- S. "Fodasse, isto podia ser bué fixe, mas yah, compreendo."


Mas depois pensei e com o que o P. me disse: "Ele não confia em ti. E as tuas curtes não ajudam." Ele não confia em mim. Ele não confia em mim. Eu sei que todos temos um lado negro, mas nunca tinha percebido que o meu podia ser tão fundo. Estou a perder uma das pessoas que eu sempre mais quis na vida devido a um passado que eu agora não posso mudar. Não posso mudar. *respirar fundo* Não posso mudar.
Há também um lado luminoso. É claro. É preciso conjugar os dois. Aprender a viver com isso. Manter o equilíbrio.

Lixado é não conseguirmos.

Lixado é não conseguirmos.

* sonya

sábado, 19 de janeiro de 2008

A casa

Ao som de: Dead can dance - Summoning of the muse

Aquela casa cinzenta, com telhado verde pálido, que povoa os meus sonhos...
É um enorme casarão, com a tinta manchada, imponente, solitário, mesmo no meio da cidade.
Hoje aproximei-me do portão. Alto, austero, ferrugento, fechado. Em redor do quintal pairava um cheiro forte a humidade, a bafio, a madeira apodrecida debaixo dos pés de muitas gerações. Um cheiro a almas solitárias, vagabundas e amarguradas. Do lado esquerdo do portão, duas campaínhas. Estará lá dentro alguém para as ouvir? Ou apenas os ecos das memórias responderão, se eu tocar?
Chove de mansinho, o que acentua ainda mais o cheiro do tempo, infiltrado em cada canto daquele espaço. Para as traseiras da casá, dá uma enorme varanda, toda feita de janelas de vidro, do chão até ao tecto. Vazia. Completamente vazia.
Tudo parece abandonado. Desde os telhados de cor verde esbatido, de tão fustigado pelas estações, até à madeira dos caixilhos das janelas, com a tinta branca a estalar.
O silêncio é sepulcral. A aura de misticismo que a envolve hipnotiza-me. Pelo portão da frente, nada dá para vislumbrar. É demasiado alto e os muros são fortalezas.
Casa perdida...que histórias contas tu? Quantas vidas já conheceste e viste partir? Quantas lembranças te ficaram? Que fantasmas te habitam? Que segredos guardas? Abafas ecos e gritos nas tuas paredes? Tens gravadas lágrimas no teu chão? Escondes um grande amor do cruel julgamento do mundo?
Anseio conseguir encontrar uma entrada para aquela casa. Tocar-lhe nas paredes frias e envelhecidas. Fotografar cada recanto, cada pormenor. Desejo ardentemente conhecer cada divisão, descobrir o caminho para aquela varanda desabitada.
Casa desolada e sombria, casa esquecida, casa encantada...que fascínio é este que me prende a ti?
Sonho preencher-te com cheiros de mil incensos, tons violáceos, texturas que me confortem a alma, músicas que me alimentem o espírito, gatos a moverem-se silenciosamente...e na varanda, rosas e o meu piano.
As minhas mãos tremem, com vontade de tentar abrir o ferrolho do portão. Mas fico apenas ali, parada, de coração aos pulos, esvaziada de toda a coragem. Não me pertences, casa das minhas fantasias...
Afasto-me lentamente. Ao longe, já consigo ver a fachada da casa, até então escondida pelo potão imponente. E eis que...vejo luz lá dentro! Uma das janelas do piso inferior tem luz!
Alguém que zela prla sobrevivência de um tão belo espaço?
Um ser solitário, que se arrasta pelos corredores bolorentos e recorda saudosamente os tempos passados?
Quem? Quem? Alguém?
Podemos sentar-nos nas escadas de pedra ao entardecer. Podemos ficar em silêncio, se assim o preferir, refugiados nos nossos pensamentos mais secretos...mas deixe-me entrar! Deixe-me cheirar as reminiscências que ainda pairam no ar, deixe-me sentir a presença de todo um passado que não pode estar condenado a morrer, deixe-me ouvir as conversas perdidas no tempo, o ranger das madeiras, o soprar do vento...deixe-me dançar na varanda e plantar rosas!
Deixe-me entrar...

...

Talvez um dia...encontre o trilho certo para alcançar a tal casa cinzenta, com telhado verde pálido, que povoa os meus sonhos...


Morgan Le Fay

Um dia

Hoje estou demasiado sensitiva. Para além dos meus próprios monstros, que esta manhã decidiram acordar, sinto as vibrações dos que me rodeiam.
O senhor do café, que fala rispidamente com outra pessoa...sinto uma vontade irracional de me esconder e chorar, sinto-me nauseada, como se o discurso agressivo fosse para mim.
O senhor na paragem do autocarro, que não pára quieto. Toda a sua agitação está a pôr-me louca! Páre, páre, PÁRE!
Chega um autocarro.
Fujo.
Sento-me nos bancos do fundo.
Cheira mal.
Corpos vivos em putrefacção. Cheira a infelicidade, a desgraça, a degredo...cheira a desespero, cheira a pobreza de espírito.
Tento inspirar profundamente mas sufoco a meio. Sinto os pulmões colapsados, por não terem há muito tempo um motivo para respirar descontroladamente, apaixonadamente...
Fecho os olhos mas o cheiro de todos aqueles cadáveres permanece em turbilhão no meu cérebro. Quero gritar, quero chorar!
Agora soluço sem lágrimas. Grito sem som.
Estou louca...ainda me sobra um mínimo de sanidade para perceber que estou louca...
Um sonho e uma música, foi o que bastou para abalar o meu frágil equilíbrio...
Até quando?
Liberta-me...


Morgan Le Fay

Aula

Os teus olhos mudam de cor.
(Escala de Dó maior, depois duplicas a velocidade)
Hoje estão verdes.
(Tens metrónomo em casa? Tens de comprar que é importante...)
Da última vez que te vi estavam azuis.
(Descontrai o braço, são os dedos que tocam!)
...Mudam mesmo de cor...
[uma piada oportuna]
Dou uma gargalhada.
Adoro o teu humor.
Adoro as nossas conversas.
És inteligente...acho-te muito inteligente, apesar de habitarmos "pólos opostos do universo"...haverá algo mais em que nos identificamos para além do piano?
Provavelmente não...
Mas adoro conversar contigo!
A tua forma de te expressares é cativante, prende. A tua voz acalma. O teu sentido de humor é tão oportuno...
E quando tocas...entro noutra dimensão. É pura magia...
E quando atiras os teus caracóis para cima do piano...
E quando prendes uma madeixa atrás da orelha...
E quando a tua mão desliza docemente pelo meu braço, pele com pele...
(Descontrai os músculos do braço! Relaxa, senão nunca vais conseguir tocar rápido...)
E o cheiro do tabaco que se desprende da tua roupa...é reconfortante...
(Eu já vi que tu és muito nervosa...só não entendo porquê!)
Porque os teus olhos mudam de cor...

...

Porque é que procuro sempre o impossível para satisfazer os meus sonhos? Porque é que me alimento somente de ilusão?
Eu não sou, de modo algum, alguém que te suscite interesse! No máximo, curiosidade. A mesma curiosidade que se sente ao ver um anão na rua, por exemplo. Durante uma hora, semanalmente, sentes curiosidade. O resto do tempo sou apenas mais uma fonte de rendimento. Pago-te para aprender.
E aprendo...muito mais do que notas e técnicas...
Aprendo os teus gestos.
Aprendo o teu sorriso aberto.
Aprendo as linhas do teu cabelo.
Aprendo que os teus olhos mudam de cor...
...e esforço-me para que os meus permaneçam imutáveis, escuros, sem arco-íris nem estrelas, quando surges e chamas o meu nome.

(Raquel, os teus dedos são perfeitos para tocar piano...)

****, os teus olhos mudam de cor...


Morgan Le Fay