Ao som de: Rita Redshoes - Choose Love
Em silêncio a observar o mar azul petróleo, sonho-te. Por entre o rumor das ondas que explodem, sonho-te. Através da areia crepitante de conchas que piso, sonho-te. Sonho-te. Sonho-te. Vivo a sonhar-te. Com cada expressão do teu rosto e do teu corpo permanentemente a surgir na minha mente.
No suave brilho alucinogéneo do sol espelhado na água, vislumbro-te. No zumbido do vento nas rochas, ouço-te. Mas gotas de maresia que polvilham o meu rosto, sinto-te.
***
A esta hora estás a tocar. Tens o cabelo a cair em cachos em cima do teclado. Os olhos fecham-se quando atinges "aquela" nota. De vez em quando soltas a voz e tudo fica suspenso. Todas as palavras murmuradas para o lado, cessam. Todos os copos ficam estáticos em cima das mesas. Todos os olhares se prendem em ti. Todas as mãos se erguem num aplauso sentido, quando terminas e sorris.
Não. Hoje não estou a ver. Não estou aí...mas basta-me fechar os olhos. Basta-me fechar os olhos...e vejo-te. O teu elástico azul no pulso, o microfone sempre a fugir, a madeixa que prendes atrás da orelha, a vibração do teu corpo enquanto te deixas envolver por completo naquilo que mais amas.
Abalaste todas as minhas certezas, todos os caminhos, antes tão certos e tão definidos...fizeste tremer o meu chão, abriste frestas na minha vida, vazios que eu nem sabia que existiam, mas que agora só tu podes preencher!
Mas que posso eu fazer? Resta-me a espera. Interminável. Incerta. Fria.
Resta-me ficar suspensa no tempo da mesma forma que fico suspensa na tua música...e acreditar. Acreditar!
Toca...toca...toca...canta...canta...toca e canta...estou a ouvir...eu ouço-te por entre a distância, por entre a saudade...toca que eu escuto, cada som, cada expressão, a violência da tua paixão, o homem calmo e racional que se transforma, enlouquece, explode, recria, apaixona, vibra, grita...eu ouço esse grito desesperado de quem quer mais...muito mais...mas não ousa sonhar com medo de sofrer, não ousa arriscar com medo da dor.
Em quase tudo na tua vida, arriscaste, lutaste e venceste. Não desististe do teu sonho, como eu fiz, não seguiste a estrada mais segura, não viajaste junto à costa, seguiste de olhos postos no alto mar. E por tempestades e calmarias, encontraste o teu lugar, para lá do horizonte, onde o sol nasce e adormece no teu rosto, e brinca nos anéis do teu cabelo.
Mas quanto ao teu coração...deixaste-o para segundo plano, não foi? Que turbilhão é esse que sinto por detrás do teu sorriso sereno? Que incerteza é essa no teu olhar, quando conversamos e confessas nunca te sentires satisfeito?
Porquê então? Para quê então?!
Um sentimento ameno? Um chão seguro? Uma casa de paredes fortes, inabaláveis, mas frias? Um hábito confortável?
Onde está o "louco" que dá tudo de si em palco? Onde está a emoção extrema que dispersas? A energia contagiante?
*respiro fundo*
Quero despertar-te.
Quero que percebas que, uma sensação má, é ainda assim preferível a não sentir coisa nenhuma!
Quero descontrolar-te! Quero destruir o teu patamar de segurança e fazer-te voar! Voar!
A vida real pode ser música.
A vida real pode ser música!!!
Quero compor uma banda sonora para a tua vida e arrancar-te lágrimas e sorrisos de forma incontrolável e desmedida, quero que tremas! Quero que caias exausto e dormente!
Quero fazer da nossa realidade...música!
Morgan Le Fay
domingo, 30 de março de 2008
domingo, 23 de março de 2008
Casados
Os anos passaram por eles, outrora cheios de vida, vivem hoje presos aos sonhos que julgaram sonhar.
Ela nunca o quis tão pouco como agora, ele nunca lhe sentiu tanta falta.
Dormem na mesma cama, mas têm sonhos separados, partilham o mesmo quarto com as suas mentes em quartos diferentes!
Já não se tocam como antes, ela acorda lentamente para a vida que sabe ter dentro de si, ele, ele sabe que ela é a sua vida.
Os frutos estão criados, paladares refinados durante vinte anos são agora maduros para se assumirem como seres autónomos, são filhos de quem já não se ama, mas amam-nos como um só!
Escondem alegrias um do outro, não partilham senão mágoas e tristezas!
Ela acordada vive-lhe presa, ele gira o seu mundo à volta dela, morrem lentamente, presos ao comodismo, até que a vida os separe!
Texto por Brainstorm
quarta-feira, 5 de março de 2008
Insensatez
Ao som de: José González - Heartbeats
"...queres vir comigo?..."
Caminhamos...caminhamos lado a lado durante um tempo infindável...
Lado a lado, a luz e a escuridão, o príncipe encantado de longos caracois louros e a mulher de negro...
Abres a tua vida como um livro...folheio devagar cada página...
Fora de paredes que nos condicionam a um estatuto limitado, somos apenas dois seres humanos que se entregam a pouco e pouco em palavras, que se absorvem um ao outro e trocam sorrisos e gargalhadas, sem regras nem ética.
Fazes-me caminhar numa corda bamba e nem te dás conta...não terás tu noção do teu valor? Não perceberás tu o perigo a que nos estás a submeter?
De cada vez que dou um passo em falso e a corda balança...seguras na minha mão...
Não sentes a minha pele queimar?
Apaixonaste-me. Não percebeste?
És tão real...tão tangível...tão humano, no sentido mais simples da palavra.
Entre um cigarro e outro convidas-me para te ir ver tocar de novo.
Já não há espaço para jogos de hesitação. Vou!
Entreguei a minha alma. Não suporto sequer pensar no fim, tão eminente e tão nítido.
Nego...nego que é um sonho...nego que jamais estarei mais próxima de ti do que simplesmente lado a lado...
Tenho de negar para conseguir sobreviver...hoje que voltei a sentir bater aquele pedacinho, há muito dormente, no meu peito...hoje que me libertei de demónios antigos...
Sozinha, cantei e ri na rua, como uma louca. Corri pelas escadas, toda eu a dançar por dentro, ao som do movimento dos teus dedos no piano.
Ponderei atirar-me para a linha do metro.
Agora que tudo é perfeito.
Não quero dar-me a chance de voltar a sofrer. De voltar a ser dilacerada.
Quero morrer feliz...
Não largues a minha mão...canta para mim enquanto danço na corda bamba...e quando cair, que seja nos teus braços...
Morgan Le Fay
"...queres vir comigo?..."
Caminhamos...caminhamos lado a lado durante um tempo infindável...
Lado a lado, a luz e a escuridão, o príncipe encantado de longos caracois louros e a mulher de negro...
Abres a tua vida como um livro...folheio devagar cada página...
Fora de paredes que nos condicionam a um estatuto limitado, somos apenas dois seres humanos que se entregam a pouco e pouco em palavras, que se absorvem um ao outro e trocam sorrisos e gargalhadas, sem regras nem ética.
Fazes-me caminhar numa corda bamba e nem te dás conta...não terás tu noção do teu valor? Não perceberás tu o perigo a que nos estás a submeter?
De cada vez que dou um passo em falso e a corda balança...seguras na minha mão...
Não sentes a minha pele queimar?
Apaixonaste-me. Não percebeste?
És tão real...tão tangível...tão humano, no sentido mais simples da palavra.
Entre um cigarro e outro convidas-me para te ir ver tocar de novo.
Já não há espaço para jogos de hesitação. Vou!
Entreguei a minha alma. Não suporto sequer pensar no fim, tão eminente e tão nítido.
Nego...nego que é um sonho...nego que jamais estarei mais próxima de ti do que simplesmente lado a lado...
Tenho de negar para conseguir sobreviver...hoje que voltei a sentir bater aquele pedacinho, há muito dormente, no meu peito...hoje que me libertei de demónios antigos...
Sozinha, cantei e ri na rua, como uma louca. Corri pelas escadas, toda eu a dançar por dentro, ao som do movimento dos teus dedos no piano.
Ponderei atirar-me para a linha do metro.
Agora que tudo é perfeito.
Não quero dar-me a chance de voltar a sofrer. De voltar a ser dilacerada.
Quero morrer feliz...
Não largues a minha mão...canta para mim enquanto danço na corda bamba...e quando cair, que seja nos teus braços...
Morgan Le Fay
terça-feira, 4 de março de 2008
utopia

Encontrámo-nos, velhos, perguntaste-me se a minha vida tinha corrido bem, respondi-te que desde o dia em que me tinhas morrido no peito consegui deixar o teu corpo para trás.
Olhaste para mim, ambos temos as feições cansadas, corroídas, rasgadas pelo tempo, tempo que não me chegou para te ter, tempo que não te chegou para me veres. Conversámos como nunca antes, contei-te os corpos aos quais dei prazer, contaste-me os que te deram prazer a ti... rimo-nos da insignificância que todos tiveram, da forma como os usámos todos.
Quando falámos da velhice, contei-te que a dada altura te imaginei a meu lado, e que afinal até estavas, mas não como eu queria... reparámos que as nossas vidas divergiram, andámos, matámos a sede nos mais ricos lagos, e que velhos, gastos estávamos ali...
Apercebi-me que ainda tinha a marca do teu cadáver sobre o meu corpo, que o peso das tuas mãos nunca me saiu dos ombros, que o beijo que em sonhos me deste no pescoço ainda me deixava sem respirar... olhei nos teus olhos, cansados de olhar o mar, fitei os teus pulsos, vi que já não me lembravas, reparei porem que o meu sangue ainda te pertencia, desde revoluções remotas no meu corpo, autenticas batalhas travadas na mente, todo ele tendia para ti, como metal atraído pelo teu magnético ser.
Queria mentir-te então, dizer-te que desde que morreste nem mais uma noite sonhei contigo... mas não conseguía, reparaste que ainda me tinhas por inteiro embora tu não desses nem metade de ti... Quis sair, virar-te costas, talvez me perseguisses como em sonhos, talvez ficasses sentado a ver-me ir, de qualquer maneira, queria deixar-te para trás, enquanto desta vez, eu, triunfante te escapava a ti...
Nós, velhos, cansados, gastos, caídos, ainda existimos na minha cabeça, ainda me vais pesando o peito, e ainda te trago às costas!
Texto por Brainstorm
Foto por Cristian N.
segunda-feira, 3 de março de 2008
Queimado
O teu corpo está a ser queimado.
Depois de torturada a tua pele, é a vez do teu interior se queimar até à morte.
Penso em ti a cada segundo...
Sem religião certa recorro ao meu anjo da guarda, que outrora fora vivo, para me auxiliar na vida.
Depois da impotência só nos resta a fé. E essa fé não é alimentada quando vemos a lógica a desaparecer. A ordem natural das coisas não devia ser mudada, mas o Homem já condenou demais a natureza...
Nathalie
Depois de torturada a tua pele, é a vez do teu interior se queimar até à morte.
Penso em ti a cada segundo...
Sem religião certa recorro ao meu anjo da guarda, que outrora fora vivo, para me auxiliar na vida.
Depois da impotência só nos resta a fé. E essa fé não é alimentada quando vemos a lógica a desaparecer. A ordem natural das coisas não devia ser mudada, mas o Homem já condenou demais a natureza...
Nathalie
Luto
Estamos de luto a perdermo-nos na incensatez de absorver a dor de outrém.
Estamos presentes mas a cabeça está no medo.
Derramamos lágrimas egoístas, que não nos pertencem.
Escutanmos o desespero do próximo e, como míseres seres humanos que somos, sentimos a impotência de estarmos condenados às regras dos sábios.
Lamento a tua perda, e gostava que o sentisses mais, mas existe uma barreira que me obriga, nos dias de hoje, a congelar as minhas veias.
Nathalie
Estamos presentes mas a cabeça está no medo.
Derramamos lágrimas egoístas, que não nos pertencem.
Escutanmos o desespero do próximo e, como míseres seres humanos que somos, sentimos a impotência de estarmos condenados às regras dos sábios.
Lamento a tua perda, e gostava que o sentisses mais, mas existe uma barreira que me obriga, nos dias de hoje, a congelar as minhas veias.
Nathalie
domingo, 2 de março de 2008
raintime.
devia ir embora. ou devia ficar. ou devia não fazer absolutamente nada.
devia... devia, sobretudo, fazer o que tenho tentado fazer. afastar-me. distanciar-me. aproximar-me. socializar. mover-me noutros meios. ser totalemnte livre dum passado que aqui teima em permanecer acima do que sou.
devia deixar-vos. deixar este lugar que é a minha casa e que me magoa. que me dói, todos os dias.
devia eu mesma esquecer o que a minha vida foi e começar uma nova. (re)começar do zero. ser totalmente eu, longe do que sou.
estou a ser incoerente?
confundo-vos?
preciso de saber "quem sou. o que faço aqui."
ao longo de todos estes anos, partilhei tudo com vocês. neste momento nem sei se posso confiar-vos alguma coisa. tenho a certeza que falam de mim quando não estou. que decidem quem é que vai falar comigo. quem é que me vai chamar a atenção disto ou daquilo. tenho a certeza que para vocês estou totalmente errada. e, não preciso disso. não preciso de ser julgada. condenada. crucificada.
After you've left behind
Your chances and dreams
You realize and ask:
"What does it mean?"
[sonyahougardy]
devia... devia, sobretudo, fazer o que tenho tentado fazer. afastar-me. distanciar-me. aproximar-me. socializar. mover-me noutros meios. ser totalemnte livre dum passado que aqui teima em permanecer acima do que sou.
devia deixar-vos. deixar este lugar que é a minha casa e que me magoa. que me dói, todos os dias.
devia eu mesma esquecer o que a minha vida foi e começar uma nova. (re)começar do zero. ser totalmente eu, longe do que sou.
estou a ser incoerente?
confundo-vos?
preciso de saber "quem sou. o que faço aqui."
ao longo de todos estes anos, partilhei tudo com vocês. neste momento nem sei se posso confiar-vos alguma coisa. tenho a certeza que falam de mim quando não estou. que decidem quem é que vai falar comigo. quem é que me vai chamar a atenção disto ou daquilo. tenho a certeza que para vocês estou totalmente errada. e, não preciso disso. não preciso de ser julgada. condenada. crucificada.
After you've left behind
Your chances and dreams
You realize and ask:
"What does it mean?"
[sonyahougardy]
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