sábado, 30 de agosto de 2008

...

Pânico...
...todo o meu corpo se desintegra por instantes e a visão se embacia...
Terrenos pantanosos borbulham, famintos, dentro da minha cabeça.
Neurose
Neurose
Neurose
Repito enquanto me embalo e me forço a respirar até ao âmago do que resta da sanidade.
São construções mentais.
Canto para distrair o medo.
Medo de morrer sem ter vivido.

Só.Tão só.

Ergui uma redoma de cristal em torno de mim mesma...e observo desapaixonadamente a queda cadenciada das minhas pétalas...uma por uma...
Sei que estou a cair...
Cada dia é um novo abismo. Um novo penetrar de rochas aguçadas na carne. Um novo lamento sem lágrimas. Uma nova canção de embalar para afugentar os monstros.

Caminho sobre um deserto de areias movediças... sem mar na linha do horizonte.
O rubor doentio da vergonha...o cheiro acre do medo...o calor peganhento da angústia...o sangue pisado do meu peito...o sal seco do vento que me vergasta a pele e me arranha os olhos!
Construí um colar de conchas, apanhadas outrora, que trago agora pendente junto ao coração.

Mas onde está o Mar?...


Calypso

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Para ti maninha

Partilhamos da mesma vergonha. Uma vergonha de sermos tão ignorantes. Ignorantes porque nos cortaram o contacto com a vida.
Tanta protecção não faz sentido, porque nos protejem de algo e nos empurram para outra coisa. Empurram-nos para a depressão que é libertada sob forma de lágrimas, e no meu caso, traz o sentimento de cobardia pela não coragem do suicídio.
Se as pessoas soubessem as acrobacias que fizemos para sermos minimamente felizes. A vida alternativa que tivemos de criar para sobreviver. As mentiras que elaboramos para sermos minimamente igual aos outros.
No nosso mundo, parece que a única coisa que conta é a responsabilidade e a vida confinada a uma casa, que tem que estar "mulhermente perfeita".
E se eu não quiser ser mulher como as outras? Se eu quiser ter uma casa porca?... problema o meu.
Atrasamos-nos 15, 30 minutos e o mundo já acabou.
Chegamos aos 30 anos e temos de fazer tudoa correr... ter 30 e ter 18 e 20 amos. Aos olhos dos outros somos ridículas, mas uma para a outra, estamos a ser livres.
Não te sintas sozinha pois és a minha vida! A pessoa que sempre amei com convicção. Sei que tens erros, mas eu tenho muitos também. Apesar de alguns erros teus eu contestar, eu adoro-te. O fogo ardaria no meu corpo, mas faria qualquer coisa por ti.

És a pessoa que mais amo nesta vida. És o meu sangue...

Só serei livre quando nos juntarmos...

Só serei livre quando nos juntarmos... Quando as garras da antiguidade se desligarem de mim.
Só saberei o sabor da vida salvagem quando tiver a liberdade de ser autónoma.
Vou planeart toda a minha vida para air daquela prisão domiciliária.
Adoro aquele ser humano que me suporta, mas não suporto aquela prisão galinhesca...
Tou ansiosa para saber qual é o sabor da noite sem limites. Tou ansiosa para saber qual é o sabor das ferias sem a mentira. Tou ansiosa para saber o sabor da cultura sem comentários.
Tou ansiosa para saber o sabor da minha personalidade sem ser anulada pela constante razão social.

Quero ser livre!

Nathalie

sexta-feira, 1 de agosto de 2008


Somos seres gritantes que se inundem no meio da poluição sonora.
Estamos trancados até estoirarmos os miolos em blocos de cimento.
Não se passa absolutamente nada na minha vida. Estou presa a esta rotina, mais uma vez, sem suportar esta barrulheira constante.
Estou agarrada a este sítio por obrigações futuras. Um futuro que, por natureza, é incerto. E incerto deve ser.
Há uma parte do meu corpo que anseia sair de todo o resto... a minha cabeça. Está saturada e estas duas próximas semanas, que são as que me resta neste ninho de amor, desobidiência e barrulho, vão parecer tão lentas.
Estou completamente viciada em café... viciada devido ao ciclo. Dormir, já não sei o que é. Só me apetecia parar, ver um pouco de AXN, tocar cavaquinho e dormir.
Estou mesmo saturada. Pareço uma panela de pressão, se se liberta um pouco de vapor, tudo sai a toda a força. Portanto, o pipozinho que se tira da panela é a minha folga.
Amigos já nem os vejo. Também não os vejo porque existem boas almas que nunca se dão a uma iniciativa.
Projectos... estou cansada de projectar. Quero parar.
A minha mãe teve cancro, e ainda não descansei desde essa altura... Estou a fazer uma digestão desregulada e o meu cansaço engorda...
Todo o meu eu está a ficar anulado. Não tenho tempo para mim, só para mim...
São 3h da tarde, o que indica que daqui a pouco vou ao café tentar desanuviar desta criançada barulhenta e queixinhas...
"Nathalie, a Dânia empurrou-me", "Nathalie, vem brincar ao principes", "Nathalie, também posso?"...
Mas é claro que também tem o seu lado positivo... "Nathalie, quando é que vais embora... Não quero...", "nathalie, gosto muito de ti...", "Nathalie, faz a borboleta", "Nathalie, faz-me um desenho para eu pintar"...
Tudo isto seria melhor se não estivesse a trabalhar no Mc Donalds, mas neste dia 01 Aosto, é bom ver o pouco ordenado que já entrou...
Quase não sinto o meu trablh0 no Mc Donalds... 5h à noite passam-se bem.
Estou a escrever o que estou a pensar porque não tenho aqui, agora, adulto para conversar, e já tou aficar saturada de conversa infantil. É giro, mas aos bocados.
Pela minha conversa até parece que não estou a gostar de estar aqui, mas adoro... mas os pedaços bons guardo para mim enquanto que os pedaços mais chatos despejo-os para aqui.
O meu aniversário não podia ter sido pior, mas nem tenho ensado nisso. A única coisa que fiquei a remoer foi o filho da puta do dentista. Apesar de tudo, já me encaminhou para o hospital e que venha a operação.
Somos escravos do nosso corpo... Somos estúpidos ao ponto de gastarmos um dinheirão em futilidades que nos fazem sentir satisfeitos por alguns momentos.
Trabalhamos para comer. Trabalhamos para pagar o colégio do nosso filho que não pode ficar em casa porque fomos trabalhar. Um bocado estúpido.

Nathalie