...todo o meu corpo se desintegra por instantes e a visão se embacia...
Terrenos pantanosos borbulham, famintos, dentro da minha cabeça.
Neurose
Neurose
Neurose
Repito enquanto me embalo e me forço a respirar até ao âmago do que resta da sanidade.
São construções mentais.
Canto para distrair o medo.
Medo de morrer sem ter vivido.
Só.Tão só.
Ergui uma redoma de cristal em torno de mim mesma...e observo desapaixonadamente a queda cadenciada das minhas pétalas...uma por uma...
Sei que estou a cair...
Cada dia é um novo abismo. Um novo penetrar de rochas aguçadas na carne. Um novo lamento sem lágrimas. Uma nova canção de embalar para afugentar os monstros.
Caminho sobre um deserto de areias movediças... sem mar na linha do horizonte.
O rubor doentio da vergonha...o cheiro acre do medo...o calor peganhento da angústia...o sangue pisado do meu peito...o sal seco do vento que me vergasta a pele e me arranha os olhos!
Construí um colar de conchas, apanhadas outrora, que trago agora pendente junto ao coração.
Mas onde está o Mar?...
Calypso