Fico enfim só. Com o silêncio e o piar distante de uma coruja, tão só como eu.
As estrelas brilham tanto neste céu cujas cores já anunciam o amanhecer. Respiro o ar gélido que entra pela janela onde me sento. Escuto apenas. As vozes veladas que emergem da terra e as vozes gritantes que nascem em mim.
Sinto paz...aceitação e serenidade.Mas doi.Doi infinitamente e receio que esta dor nunca mais me abandone. Vou apenas habituar-me a ela, como quem se abstrai dos barulhos da cidade e aprende a dormir com eles.Ainda não tenho um caminho traçado. Não sei o que vou fazer nem como o vou fazer...mas vou sobreviver de alguma forma.Tenho a imagem do teu sorriso gravada no fundo dos meus olhos. Tenho o toque da tua mão guardado na palma da minha mão. Tenho uma doce carícia tua nos cabelos.
Tudo pode ser suportado.
Amo-te...incondicionalmente, até às últimas consequências, até ao fim dos tempos.
Não vou ser a bruxa má da minha própria história de encantar. Perdi o papel da princesa mas há mais personagens a desempenhar...
Esta noite dispo-me das mágoas e dos venenos que se colaram ao meu corpo ao longo dos anos. Amo-te assim. Como da primeira vez que te vi sorrir. Amo-te sem passado....e muito menos futuro. Amo-te apenas.Porque hoje comemora-se o dia em que surgiste neste mundo. Porque hoje comemora-se a força com que persistes neste mundo.
Hoje deixo cair a máscara e as lágrimas.
Lavo a alma.
Resta a dor. Funda. Imensa.A companheira de viagem que se acomoda silenciosa nos cantos das minhas emoções.
Morgan Le Fay