Já tinha dito que não desistia, que não era comodista... mas como não me posso render as evidencias?
O que quer que fosse que pudesse ter dado já teria que ter dado... e o tempo passa, e eu corro louco atrás de sinais de vida, corro corredores entre multidões à procura do teu cheiro, uma vez até te encontrei, quase não me viste, quando reparaste que era eu gelaste, disse olá, apressei-me para não chegar tarde ao emprego, ainda olhei para trás para te ver a ir embora, e lá ias tu, contente, na tua vidinha, tive que pedir lume a alguém para acender um cigarro que tremia por todos os lados, ou eram as minhas mãos?
Afoguei-me em trabalho para não pensar em ti, mas lá está o dia não foi fácil! Os dias não são fáceis, sempre à procura de distracções para nem sequer ter tempo para pensar, porque se penso caio, gostava de te arrancar de mim de vez, porque afinal o tempo passa, a vida corre por mim, escorrega-me entre os dedos e não a consigo acompanhar, ainda não arranjaste o tempo que disseste arranjar, e a música continua. Uma balada triste outrora cheia de esperança é hoje pura melancolia de algo que falta, algo desencaixado. Uma pedra no sapato, uma espinha na garganta, e há maneiras de as tirar, mas tenho as mãos atadas, e a balada não acaba, a letra é a mesma há tantas noites a fio, os acordes sempre num looping constante, e roda, roda, roda...
Os amigos fazem anos, eu estou mais velho a cada dia, as vezes sinto-me a acabar aos poucos outras vezes sinto-me a acordar... e pergunto-me se tudo isto não passou de um sonho... mas depois lembro-me que nos sonhos tu até apareces, até estás lá comigo!
Prometo acabar com isto, como se algo dentro de mim tivesse um interruptor, uma tomada, um fio que fosse, se conseguisse cortava-o, desligava-o, arrancava-o, se me estivesses no sangue nem me importaria de ficar enxague, desligar-me a mim mesmo, não viveria acamado ligado à tua máquina.
E prometo ser só mais um dia, dias e dias seguidos, até que penso, caio e quando me levanto penso de novo, persigo os teus passos, virtuais, vivos, reais, pistas, pegadas, tudo. Caio, penso, caio, penso! E lá está a letra da balada redundante que de tanto vicio mete nojo!
Ao menos aparece, e faz-me odiar sentir o que sinto! Faz-me não ser masoquista!
Ou então apareça alguém que não me deixe parar! Pensar, caír!
(até a escrita é a mesma)
GF
1 comentário:
Desculpa meter-me...mas...depende de ti quebrar esse ciclo vicioso...descentraliza-te, a dor ñ vai passar milagrosamente e acredito que ainda vais chorar muito mas apoia-te nos teus amigos, não te esqueças que existe uma vida, um mundo fora das paredes do teu corpo...tu precisas deles mas eles tb precisam de ti...
Força, mt força...
Ranzita Raquel
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