terça-feira, 21 de agosto de 2007

Mundos


Apetece-te acabar?
Acabar o que começaste! Acabar o que não começou, dizer de uma vez por todas que estás farto e que não aguentas mais a opressão que te obriga a viver na solidão, um coração, uma paixão!
Dois corações uma paixão, seria algo suficiente?
Não...

Há a opressão, por teres que viver em silêncio!
Amores que sentes, desejos, corpos quentes,
a fervilhar dentro de ti.
Ainda assim finges o que sentes, finges que não sentes para que não o possam sentir!

E quando a máscara cai? Voltas atrás mentalmente, vês-te preso numa situação... meses a fio... noites em branco... choros mudos, gritos em almofadas, dói-te imenso não ter...
Dói tanto que te corrói o espírito, que te enrolas sobre ti, fechas-te ao mundo abres o teu mundo dentro de ti, e deixas o vento passar e secar lágrimas na tua cara, no teu mundo interior, vês os corpos que por ti passaram, os que ainda passam, as bocas que beijaste, as que não beijaste mas que te beijaram, e vês la bem no topo, onde esse vento não corre, aquela, a boca que queres beijar...

O vento não te leva lá, não voas no teu mundo.
As asas? Estão cortadas, não vês?

Não és marioneta, não tens fios nem rede de segurança, arriscaste, mostraste o teu intimo, deixaste essa boca entrar no teu mundo que só se desenrola com o teu enrolar de desespero...

Acorda, desenrola-te guarda esse mundo negro para depois, sai da cama, vai à janela, respira fundo sente o oxigénio a alimentar e ao mesmo tempo a corroer o teu sangue, os carros, as pessoas, as estradas, o betão, a sociedade que te oprime, o mundo feito de mundos iguais ao teu, enrolados, escondidos atrás de olhares, mundos felizes, mundos negros, mundos, cada um cada gente!

G.F.

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