terça-feira, 9 de outubro de 2007

Dei passos grandes em direcção ao mar.
Quando dei por mim, os meus pés estavam carregados de areia molhada e grossa.
Os meus passos tornaram-se largos e penosos.
O ar húmido entupia os meus bronquios, oleava os meus cabelos e difundia-se com as minhas lágrimas.
A pintura que mascarava o triste rosto, derramava o falso véu com as gotas flutuantes.
O outuno era a estrada do final da vida. Vi, ao longe, o corpo tombar sem se levantar. Deixou-se humilhar pelas ondas que o desfaziam.
De longe, apercebo-me que tinha láminas nas lágrimas e que quando quiz limpar a face com os pulsos, curtei-os sem sentir realmente a dor.
O castigo da minha alma foi o olhar.
Ver-me morrer por entre aquela vida e não poder fazer nada cansou a minha existência metafísica.

Sem comentários: