sábado, 12 de abril de 2008

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Estou, lentamente, a voltar a mim. A minha alma não está à venda.
Julguei que podia continuar a ser “Eu”, mas falhei…sou demasiado adaptável, demasiado múltipla, plástica, móvel…e dia após dia fui mudando, discretamente, um pormenor de cada vez, até restar tão pouco… Fiz das músicas dele as minhas músicas, fiz da existência dele a minha vida, inconscientemente, anulei-me.
Mas ontem algo me fez despertar abruptamente deste coma! Talvez aquele cantinho especial, talvez a música, talvez as marcas das minhas unhas na minha própria pele, talvez o vento… Percebi que me sentia perdida, não por não o ter, mas por não me ter a mim.
Suicídio! Estava a suicidar-me por ele! Por ele que nunca me pediu nada. Ele que pode dar-me as armas para continuar a crescer no meu sonho, ele que traz estrelas por entre os dedos e as espalha nas minhas mãos…
Estou magoada sim. Estou derrotada. Mas estou viva! E tenho o meu espírito comigo. Recuperei a minha sombra, o meu reflexo no espelho, o meu caminho.



Aquilo que me move é maior do que os teus olhos cheios de céu e mar. É mais forte que o pó de estrelas que te brilha nos cabelos e mais reconfortante que o calor das tuas mãos nos meus ombros. O que me habita só é comparável ao movimento dos teus dedos em delírio, ao som que fazem nascer… Não abdicarias disso por nada nem ninguém! Da mesma forma não posso renunciar ao que sou. Nem mesmo por ti que me arrancas o coração do peito e o deitas a voar, como um papagaio de papel ao vento. Se me negar, morro. Não passarei de uma fotografia à chuva, a arrastar-se pelos dias, sem cor nem brilho.
Eu acredito que os nossos abismos podem unir-se, criar pontes. O dia e a noite partilham a aurora e o crepúsculo…e não é perfeito quando a luz e a sombra se encontram? A chuva e o sol erguem o arco-íris, o mar impetuoso beija a terra serena…Eu acredito que é possível!
E se não for…tenho-me a mim. Tenho-me a mim que sempre amparei as minhas quedas, cantei canções de embalar para sossegar as noites de desespero e fechei feridas que sangraram durante anos. Tenho estas mãos que me ensinas a expressar, tenho este peito aberto, este espírito irrequieto, esta paixão!
A minha alma não está à venda por preço algum…
…mas posso partilhá-la contigo, se um dia a quiseres transformar, irremediavelmente, em música.


Morgan Le Fay

1 comentário:

Anónimo disse...

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