sexta-feira, 1 de agosto de 2008


Somos seres gritantes que se inundem no meio da poluição sonora.
Estamos trancados até estoirarmos os miolos em blocos de cimento.
Não se passa absolutamente nada na minha vida. Estou presa a esta rotina, mais uma vez, sem suportar esta barrulheira constante.
Estou agarrada a este sítio por obrigações futuras. Um futuro que, por natureza, é incerto. E incerto deve ser.
Há uma parte do meu corpo que anseia sair de todo o resto... a minha cabeça. Está saturada e estas duas próximas semanas, que são as que me resta neste ninho de amor, desobidiência e barrulho, vão parecer tão lentas.
Estou completamente viciada em café... viciada devido ao ciclo. Dormir, já não sei o que é. Só me apetecia parar, ver um pouco de AXN, tocar cavaquinho e dormir.
Estou mesmo saturada. Pareço uma panela de pressão, se se liberta um pouco de vapor, tudo sai a toda a força. Portanto, o pipozinho que se tira da panela é a minha folga.
Amigos já nem os vejo. Também não os vejo porque existem boas almas que nunca se dão a uma iniciativa.
Projectos... estou cansada de projectar. Quero parar.
A minha mãe teve cancro, e ainda não descansei desde essa altura... Estou a fazer uma digestão desregulada e o meu cansaço engorda...
Todo o meu eu está a ficar anulado. Não tenho tempo para mim, só para mim...
São 3h da tarde, o que indica que daqui a pouco vou ao café tentar desanuviar desta criançada barulhenta e queixinhas...
"Nathalie, a Dânia empurrou-me", "Nathalie, vem brincar ao principes", "Nathalie, também posso?"...
Mas é claro que também tem o seu lado positivo... "Nathalie, quando é que vais embora... Não quero...", "nathalie, gosto muito de ti...", "Nathalie, faz a borboleta", "Nathalie, faz-me um desenho para eu pintar"...
Tudo isto seria melhor se não estivesse a trabalhar no Mc Donalds, mas neste dia 01 Aosto, é bom ver o pouco ordenado que já entrou...
Quase não sinto o meu trablh0 no Mc Donalds... 5h à noite passam-se bem.
Estou a escrever o que estou a pensar porque não tenho aqui, agora, adulto para conversar, e já tou aficar saturada de conversa infantil. É giro, mas aos bocados.
Pela minha conversa até parece que não estou a gostar de estar aqui, mas adoro... mas os pedaços bons guardo para mim enquanto que os pedaços mais chatos despejo-os para aqui.
O meu aniversário não podia ter sido pior, mas nem tenho ensado nisso. A única coisa que fiquei a remoer foi o filho da puta do dentista. Apesar de tudo, já me encaminhou para o hospital e que venha a operação.
Somos escravos do nosso corpo... Somos estúpidos ao ponto de gastarmos um dinheirão em futilidades que nos fazem sentir satisfeitos por alguns momentos.
Trabalhamos para comer. Trabalhamos para pagar o colégio do nosso filho que não pode ficar em casa porque fomos trabalhar. Um bocado estúpido.

Nathalie

1 comentário:

Anónimo disse...

*ranzita sopra um beijinho para Natinhas*