Completamente só numa rua de Lisboa, sem um rosto familiar onde me amparar, embrenhei-me nos mais interditos pensamentos que me cegam ao fechar gentil e perversamente a porta do bom senso e de todos os valores que sempre acreditei possuir. A solidão desperta a lei natural da sobrevivência mas, como ser humano que sou, possuo uma consciência que grita por alguma sanidade…contudo fere demais a constatação daquilo em que me torno a cada dia que passa, e pior, a constatação de que gosto do que sinto, por mais errado que seja, nos meus sonhos é perfeito…
O anjo do meu ombro direito sorri, abraça-me ternamente, sussurra-me palavras de força, beleza, alegria…o anjo do ombro esquerdo sopra no meu ouvido uma nova melodia pela qual me quero deixar embalar, uma nova música que quero cantar. “ A música não é tua! “ grita o anjo do ombro direito, “ Confiei em ti…li-te o meu poema, toquei-te a banda sonora da minha vida…a música não é tua! “. Mas o anjo do ombro esquerdo sorri imperturbável e continua a cantar a música no meu ouvido…e eu quero fechar os olhos e dançar!
Encosto-me a uma parede. As pedras da calçada perderam a forma, o chão é agora uma matéria amorfa que se move debaixo dos meus pés (“Engole-me!!!”, grito em silêncio, “ Se a minha felicidade tem de se erguer sobre as ruínas de um coração desfeito…engole-me!). O céu encontra-se estático, como se o tempo tivesse parado, como se se preparasse para me esmagar contra o chão a qualquer momento, apesar da sua cor azul e do sol poente que se derrama nos passeios e me cega de luz.
Cega de luz…precisamente…cega de luz! Quero tanto ser feliz que perco a noção do que é certo e errado, quero tanto dançar ao som dessa música perfeita que nem reparo em quem empurro e em quem piso pelo caminho.
Perdoa-me anjo bom, guia-me anjo bom! É o teu brilho que vou seguir e é ao teu lado, SEMPRE, que vou aguardar o dia em que me digas “ A música é tua…”.
Disturbed
domingo, 10 de junho de 2007
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1 comentário:
Simplesmente lindo.
Como se a vida fosse uma melodia constante em que temos de nos deixar levar, para pooder amar e ser livres!
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