Ao som de David Fonseca - Haunted Home
A lua cheia está pousada em frente à minha janela. Os grilos povoam a noite de melodias. As rãs conversam comigo e entre si, nas sombras. Sinto que se fechou um ciclo.
As rãs voltaram , ao fim de tantos anos de silêncio. Os morcegos deslizam de novo no veludo do céu. Os risos das crianças regressaram à ribeira. A piscina do Lagar renasceu. Reina a paz e a harmonia. A perfeita comunhão. Acabaram as doenças. Acabou a destruição pelo fogo. Respira-se de novo. Vive-se de novo. Ama-se de novo.
Porque é que sinto então uma dor tão insuportável em mim? Porque é que me sinto tão terrível e irremediavelmente destruída? Porque é que não consigo partilhar deste momento de perfeição e ser genuína no sorriso que faço perante o mundo? Diz-me, lua que sorris de escárnio reflectida no vidro da minha janela e no fundo dos meus olhos vazios! Porquê esta sensação de estar "à margem" devido aos sentimentos amargos que me corroem e envenenam o que de bom existe no meu peito?
...
Não, não tens de responder.
Tudo pode ter voltado...mas ele partiu.
Talvez tivesse de ser assim...talvez fosse condição necessária...talvez só assim a mágoa desaparecesse de tudo o que é belo neste lugar. Quem sou eu para questionar? Quem sou eu para interferir? Quem sou eu para desejar mudar o que quer que seja?
Tenho a minha terra de volta! A pureza, a magia, o sonho, os sons, os cheiros...que mais posso eu desejar?
...
Mas julguei que este retorno do passado significasse que poderia mover as peças do jogo da vida, com as minhas mãos.
Enganei-me. Significa tão somente que se completou um circulo e foi posto um cadeado nas portas do passado. Não há espaço para mais questões nem tentativas. A vida atirou-me um duro "NÃO" à cara, feriu-me o rosto e obrigou-me a usar esta máscara de hipocrisia para todo o sempre...
Noutros tempos, quando ainda alguma esperança habitava o meu peito, revoltar-me-ía, choraria, gritaria...
Hoje as lágrimas fluem naturalmente e em silêncio...para dentro dos meus olhos.
Ninguém me verá quebrar...
Muito menos ele.
Mas ainda assim...
ainda assim...
se uma pequena fresta dessas portas do passado se abrisse com o vento...
...
trocaria tudo por mais um abraço ... mais um beijo secreto (poderia a magia desta vez resultar, príncipe sapo?) ... mais um sorriso... O Sorriso...
Tornaste-te tão cruel pra mim... ... ... tão distante, tão frio...tão injusto...
...mas deixa-me dizê-lo mais uma vez...(a última, quem sabe)...a única certeza e a única verdade de toda esta história louca que vivemos...
Amo-te
porque sim...
simplesmente...
Morgan Le Fay
segunda-feira, 21 de julho de 2008
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