sábado, 5 de janeiro de 2008

Algo de estranho invade este conjunto de seres humanos. Parecemos ir todos no mesmo barco e que a tempestade levou consigo todos os tripulantes.
A divindade que todos admiram parece atraiçoar e condenar os pecados. Ou talvez o problema seja a falta de tempo para as rezas…
As rugas do teu avô sentenciaram a sua vida. Talvez até seja pecado a sua morte me inspirar, mas a realidade é que a verdade crua da vida assusta-me a obriga a libertar-me.
Amanhã pode ser o início do fim ou o fim da tortura. Os meus olhos enchem-se de dor quando te imagino naquela cama desconfortável. A casa onde habitei a ser demolida. Tudo porque os fantasmas que a assombram sugam a tua energia. A dor da tua partida simplesmente me assusta. A tua vida é a minha.
Estamos na época da neve colorida, mas este ano, ela simplesmente tinha o rasto dos óleos. A mesa esteva mais cheia que o normal mas eram rostos forçadamente novos. Tu dançaste o teu corpo como que se ele te tivesse trazido simples vida, mas condenou-te a quase todos os males do mundo, pouco profundos, mas muitos.
A única alegria que existe assenta naquela noite mágica em que a argolinha prateada envolveu o meu magro dedo. Naquela noite, fim-de-semana prévio ao Natal, dormimos juntos como um casal na sua casa. “Expulsaste-me” do quarto para a magia. A caixa de música fazia balancear os reis, donos do castelo do nosso mundo, tu rei e eu rainha, e nas coroas, lá estavam as argolinhas a brilhar intensamente. Descemos a terra em direcção ao rio, num percurso, talvez vulgar mas, mágico naquele momento. Estávamos no alto de S. João e deslizámos pela Morais Soares até à Praça do Chile. De repente estávamos nos Anjos e caminhávamos para o Intendente. Depois de um susto negro passámos para o Martin Moniz ansiando chegar ao Rossio. Neste espaço vimos calças a ficarem molhadas e geladas. Na Baixa, a rua Augusta estava iluminada e ao som da música, o fogo-de-artifício iniciava a beleza dos céus. Parámos no antigo ponto de comércio, e com as luzes da praça deliciamos a falsa e fosca luz que iluminava o piso. Por entre grades admirámos o Tejo, seguimos a sua margem até ao Cais do Sodré na busca por alimento. Alimentados como um fino casal, voltámos ao frio em busca do Chiado. Percorremos os Restauradores e, junto do Coliseu, numa marisqueira com um ar simpático, sentámo-nos deliciando a gentileza do empregado. Entrámos na serpente metálica e corremos até à Alameda. De lá, terminando a última hora, voltámos ao ponto de partida, como dois apaixonados, tolos.

Casal de Cambra, 27 Dezembro 2007
1 ano…


Nathalie

1 comentário:

Anónimo disse...

=D

Os sonhos são sempre possiveis de realizar, e por muito que alguem nos tenha magoado outrora, existe sempre alguem que nos vem curar essas feridas.
É estranho mas acredito que as coisas, todas as coisas, boas e más, acontecem por algum acaso, se formos a ver bem até crescemos mais com as coisas más, que nos fazem sofrer e chorar até não termos mais lagrimas, ou mais forças para as deixar cair, mas depois de toda a dor, começa o céu a ficar mais limpo e até dá para ver o sol, e esse sol vem entrando devagarinho nas nossas vidas, mostranos que tudo pode ser perfeito, e que a tempestade ja la vai.
Esse sol vai aquecendo tanto que chegamos a pensar que vamos morrer com tanto calor, e depois, ..., depois aparecem os reis e as rainhas, as argolinhas, e andamos nos, ..., babados, nessa altura somos nós, reis e rainhas do mundo, e nada nos pode parar, porque nos estamos quentes, o sol tem-nos aquecido ao longo de todo o tempo, por vezes arrefece um pouco, mas volta sempre com a mesma intensidade ou ate com mais.
E as coisas más, essas quando damos conta sao parte do passado, de um passado presente porque as feridas não saram de um dia para o outro, mas também de um passado cada vez mais passado, um passado que já não nos faz chorar, um passado que so faz com que nos sintamos usados, parvos e a pensar como é que não vi tudo isto antes.
E no presente, nós somos rainha e reis, princepes e princesas, ainda não temos castelos, mas haveremos de la chegar..

Beijos "princesa"
***

Ass: SM