Apercebi-me hoje que a idade me deu um enxerto de porrada. Ou a idade ou aquilo que fui fazendo ao longo destes anos. Não foram assim tantos, eu sei, mas há dias em que 21 anos já pesam demasiado. Eu nunca acreditei naquela treta do: "tudo o que dás recebes a dobrar." Mas, a cada dia que passa, apercebo-me que sim. Tudo tem consequências. As marcas ficam. Nódoas negras, profundas, na pele. Tenho o corpo dorido. Cada movimento implica uma dor profunda.
Sempre conduzi a minha vida à velocidade das coisas que nos faltam. Que nos fogem. Sempre me deixei levar. Conheci Al Berto e perdi-me nas suas viagens, nos seus desvaneios, na sua força (ou fraqueza)de querer viver tudo intensamente. Não perder nada. Seguir todos os caminhos. Amar. Saber amar de todos, o seu melhor. Saber encontrá-lo. Usar isso para sermos mais felizes instantaneamente.
- Pára.
- Respira fundo.
- Construiste a tua vida numa mentira.
- Falhaste muitas vezes a pessoas que gostavam de ti.
- Falhaste mais vezes ainda ao cumprimento dos teus objectivos.
- Enumera as razões que te levaram a isso.
- 1 razão.
- Egoismo? Não......
- Não sei.
- Sabes.... Aí, bem no fundo. Sabes.
Tudo tem consequências.
Tudo tem consequências.
Fumar um charro. Preciso de drogas para pensar. Preciso de me acalmar. Preciso de concentração. Preciso de me acalmar. Preciso. Preciso de paz. Não. Consciência tranquila. Preciso de ter a consciência tranquila.
Eu sei.
Eu sei.
Penso.
"And we fall into this. We fall into this. And we fall into this. We fall."
Não consigo estudar. Não consigo dormir. Não consigo parar de tremer. Não consigo parar. Quero desligar o cérebro e não consigo.
Fumo. Fumo muito. Deito-me tarde. Ontem bebi até quase cair para o lado. Mandei uma mensagem à M. a dizer: "Olha M., sim. Comi o gajo. Comemo-nos. Foi muita bom. Não percebo o que é que tens a ver com isso. Não te contei. Menti-te. Não queriamos que ninguém soubesse. Eu sei que me pediste para não o fazer, mas queriamos os dois. Aconteceu e eu estou-me nas tintas para aquilo que tu achas. E se não quiseres voltar a falar comigo estás no teu direito. Tasse benne. Xau."
Tive que o fazer. Não suportava já mais o peso de uma mentira. Não quero mais mentiras na minha vida. Não quero. Não preciso. Já menti demais. Já não aguento.
O P. disse-me uma coisa que me deu a volta à cabeça: "Ele não confia em ti." Não é que eu já não o soubesse. Só que nunca o tinha assimilado. Foi uma facada no peito. (já explico!)
Pausa.
Consegui dormir. Provavelmente do àlcool ou da droga, sei lá.
Gosto de acordar de manhã, com uma ressaca do caralho, enroscada em mim mesma. Lágrimas nos olhos. Pensar naquele gajo que me fode a cabeça toda.
Ao acordar tenho que ouvir uma música qualquer. Hoje foi Counting Crows.
“Says she's thinking of jumping
She says she's tired of life
She must be tired of something”
Estou mesmo.
Round Here.
Estava yirada para a parede. Rodei sobre mim mesma, para o lado direito. Olhei para a janela e vi um céu azul imenso e brilhante entrar me pelo quarto adentro. Pensei: ‘ Levanta-te, caralho! Já chega desta merda!’ Levantei-me, liguei o messenger, combinei com o P., vesti-me, fiz uma sandes, saí para a rua. Esperei-o sentada no muro, branco-velho, da casa da minha avó. Fomos para a esplanada. Uma tarde normal. (qualquer dia gostava que viessem partilhá-la comigo.) Estava a falar com o P. Tenho uma faca espetada no peito. Temos os dois, sim. Mas eu queria contar-te o que é que se passou. E contei. O J. Sim. Gosto mesmo dele. Mesmo. No outro dia veio falar comigo e pediu-me se podiamos ir sair um bocadinho, porque ele queria falar comigo fora da internet. Estivemos a falar no miradouro do castelo. - Vista para o vale do Tejo. Lisboa ao fundo.
- J: "Gosto muito de ti, mas a minha vida não dá. Não acho que consiga dar-te aquilo que procuras."
- S. "Fodasse, isto podia ser bué fixe, mas yah, compreendo."
Mas depois pensei e com o que o P. me disse: "Ele não confia em ti. E as tuas curtes não ajudam." Ele não confia em mim. Ele não confia em mim. Eu sei que todos temos um lado negro, mas nunca tinha percebido que o meu podia ser tão fundo. Estou a perder uma das pessoas que eu sempre mais quis na vida devido a um passado que eu agora não posso mudar. Não posso mudar. *respirar fundo* Não posso mudar.
Há também um lado luminoso. É claro. É preciso conjugar os dois. Aprender a viver com isso. Manter o equilíbrio.
Lixado é não conseguirmos.
Lixado é não conseguirmos.
* sonya
domingo, 20 de janeiro de 2008
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1 comentário:
Eu nunca acreditei naquela treta do: "tudo o que dás recebes a dobrar."
//Para ti seria mais o de "Quem semeia ventos colhe tempestades" :x
Sempre me deixei levar.
//É o que tu fazes de mal, es demasiado impulsiva as vezes =\
Não suportava já mais o peso de uma mentira. Não quero mais mentiras na minha vida.
//Claro que é louvavel ;)
mas seria ainda mais louvavel se nao precisar de ter de viver com elas
"Ele não confia em ti."
//Tendo em conta o teu recente historial...ja devias de esta a espera e ja :(*
Anyway minha estrunfa esta na altura de tomar uma atitude sabes disso *
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