Hoje estou demasiado sensitiva. Para além dos meus próprios monstros, que esta manhã decidiram acordar, sinto as vibrações dos que me rodeiam.
O senhor do café, que fala rispidamente com outra pessoa...sinto uma vontade irracional de me esconder e chorar, sinto-me nauseada, como se o discurso agressivo fosse para mim.
O senhor na paragem do autocarro, que não pára quieto. Toda a sua agitação está a pôr-me louca! Páre, páre, PÁRE!
Chega um autocarro.
Fujo.
Sento-me nos bancos do fundo.
Cheira mal.
Corpos vivos em putrefacção. Cheira a infelicidade, a desgraça, a degredo...cheira a desespero, cheira a pobreza de espírito.
Tento inspirar profundamente mas sufoco a meio. Sinto os pulmões colapsados, por não terem há muito tempo um motivo para respirar descontroladamente, apaixonadamente...
Fecho os olhos mas o cheiro de todos aqueles cadáveres permanece em turbilhão no meu cérebro. Quero gritar, quero chorar!
Agora soluço sem lágrimas. Grito sem som.
Estou louca...ainda me sobra um mínimo de sanidade para perceber que estou louca...
Um sonho e uma música, foi o que bastou para abalar o meu frágil equilíbrio...
Até quando?
Liberta-me...
Morgan Le Fay
sábado, 19 de janeiro de 2008
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1 comentário:
estamos condenados a conviver com os outros seres humanos, como se estivéssemos a ser castigados por termos vindo ao mundo na forma de ser humano!
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