domingo, 30 de março de 2008

Um grito...

Ao som de: Rita Redshoes - Choose Love

Em silêncio a observar o mar azul petróleo, sonho-te. Por entre o rumor das ondas que explodem, sonho-te. Através da areia crepitante de conchas que piso, sonho-te. Sonho-te. Sonho-te. Vivo a sonhar-te. Com cada expressão do teu rosto e do teu corpo permanentemente a surgir na minha mente.
No suave brilho alucinogéneo do sol espelhado na água, vislumbro-te. No zumbido do vento nas rochas, ouço-te. Mas gotas de maresia que polvilham o meu rosto, sinto-te.

***

A esta hora estás a tocar. Tens o cabelo a cair em cachos em cima do teclado. Os olhos fecham-se quando atinges "aquela" nota. De vez em quando soltas a voz e tudo fica suspenso. Todas as palavras murmuradas para o lado, cessam. Todos os copos ficam estáticos em cima das mesas. Todos os olhares se prendem em ti. Todas as mãos se erguem num aplauso sentido, quando terminas e sorris.
Não. Hoje não estou a ver. Não estou aí...mas basta-me fechar os olhos. Basta-me fechar os olhos...e vejo-te. O teu elástico azul no pulso, o microfone sempre a fugir, a madeixa que prendes atrás da orelha, a vibração do teu corpo enquanto te deixas envolver por completo naquilo que mais amas.
Abalaste todas as minhas certezas, todos os caminhos, antes tão certos e tão definidos...fizeste tremer o meu chão, abriste frestas na minha vida, vazios que eu nem sabia que existiam, mas que agora só tu podes preencher!
Mas que posso eu fazer? Resta-me a espera. Interminável. Incerta. Fria.
Resta-me ficar suspensa no tempo da mesma forma que fico suspensa na tua música...e acreditar. Acreditar!
Toca...toca...toca...canta...canta...toca e canta...estou a ouvir...eu ouço-te por entre a distância, por entre a saudade...toca que eu escuto, cada som, cada expressão, a violência da tua paixão, o homem calmo e racional que se transforma, enlouquece, explode, recria, apaixona, vibra, grita...eu ouço esse grito desesperado de quem quer mais...muito mais...mas não ousa sonhar com medo de sofrer, não ousa arriscar com medo da dor.
Em quase tudo na tua vida, arriscaste, lutaste e venceste. Não desististe do teu sonho, como eu fiz, não seguiste a estrada mais segura, não viajaste junto à costa, seguiste de olhos postos no alto mar. E por tempestades e calmarias, encontraste o teu lugar, para lá do horizonte, onde o sol nasce e adormece no teu rosto, e brinca nos anéis do teu cabelo.
Mas quanto ao teu coração...deixaste-o para segundo plano, não foi? Que turbilhão é esse que sinto por detrás do teu sorriso sereno? Que incerteza é essa no teu olhar, quando conversamos e confessas nunca te sentires satisfeito?
Porquê então? Para quê então?!
Um sentimento ameno? Um chão seguro? Uma casa de paredes fortes, inabaláveis, mas frias? Um hábito confortável?
Onde está o "louco" que dá tudo de si em palco? Onde está a emoção extrema que dispersas? A energia contagiante?

*respiro fundo*

Quero despertar-te.
Quero que percebas que, uma sensação má, é ainda assim preferível a não sentir coisa nenhuma!
Quero descontrolar-te! Quero destruir o teu patamar de segurança e fazer-te voar! Voar!
A vida real pode ser música.
A vida real pode ser música!!!
Quero compor uma banda sonora para a tua vida e arrancar-te lágrimas e sorrisos de forma incontrolável e desmedida, quero que tremas! Quero que caias exausto e dormente!
Quero fazer da nossa realidade...música!


Morgan Le Fay

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