Ao som de: Apocalyptica - Faraway
Voltei a casa. Ao fim de nove meses de ausência deliberada, senti de novo o chamamento da terra. Ou do passado. Ou do futuro.
Sinto-me tão fraca...talvez devido à noite de insónia. Talvez devido ao confronto iminente com os meus medos e sentimentos negados por tanto tempo. Trancados por tanto tempo. Congelados durante todo o ano para florescerem de novo por entre a neve, com os primeiros raios de sol do Verão.
O meu corpo fraqueja, treme...parece que vou desabar a qualquer momento. Mas o espírito impacienta-se. Quer gritar. Quer sentir. Dá murros no meu peito.
Não consigo descrever a multiplicidade do que sinto. São tantas emoções contrárias a colidir dentro de mim que, de certa forma, anulam-se e desorientam-me nesta dormência. O que acontecerá quando uma das partes ganhar esta guerra interior? E qual delas vencerá? ... ... ...
Há dias atrás seria capaz de matar por um abraço dele. Agora encolho-me de medo e julgo não ter forças para subir a rua.
Agora é real. Já não é uma vontade inconcretizável. Estou perante a vida e ela diz-me : "Agora é contigo. Podes fazer o que desejares acerca deste assunto."
Sinto-me aterrorizada por saber que daqui a algumas horas o cheiro dele vai existir do lado de fora das minhas lembranças. O seu sorriso vai EXISTIR. Temo cruzar-me com ele acidentalmente numa esquina. Porque a partir daí vai ser no domínio da realidade. E a realidade é que já não "existimos". Existe "ele" e existo "eu".
E será assim o "nosso"
"...e viveram felizes para sempre..."
Morgan Le Fay
sábado, 19 de julho de 2008
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