sábado, 19 de julho de 2008

Fogo

Ao som de: Violet Tears: Doubt, Rising tide, Homecoming e Drowned

Cheira a fogo. O calor escalda-me a nuca. Sinto o espaço fechar-se em meu redor. O horizonte tremeluz abrasador lá longe. A minha mente está letárgica. O meu corpo não obedece aos meus comandos. O mundo rejubila de vida. Eu não.

Quero deitar-me no chão e deixar-me arder lentamente...e quero atirar-me à água em busca do despertar do frio no meu corpo. Quero desistir e quero continuar...em busca de uma emoção maior.

Mas cheira a ti. A ti que te perdeste nos recantos proibídos das minhas memórias. Shhh...o mundo já se esqueceu do "nós". E não vou ser eu a relembra-lo. Não serei eu a despertar o tempo.

Mas cheira a ti. Cheiras a Verão, a sentimentos doentios e estagnados, a pó, a terra e a fogo. Queimas-me a gargante. Queimas-me o corpo e a alma, como este sol impiedoso que me asfixia a clareza do pensamento.

Esta época do ano cheira demasiado ao passado. Só desejo poder parar de respirar e não ser forçada a inspirar e interiorizar, continuamente, cada emoção que tanto me fere.


Calypso

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