domingo, 10 de fevereiro de 2008

a caminho_11_

A Caminho de_ (poema num dia frio)

O frio cortou-me as extremidades do corpo e descoseram a pele
O membros caíram inertes no chão e ficaram congelados
Ao andar voaram as falanges com ventos de pólos norteados de branco
As mãos estalaram dentro de dois bolsos e por lá ficaram aquecidas em sangue do tecido do meu casaco, sobrando para a minha anatomia apenas dois cotos disformes
Os braços nesse momento decidiram ficar estácticos para sempre, porque sem mãos prometeram que faziam pausas no movimento e se divorciavam do tacto.
Nos meus seios formou-se leite de estalactite, gordura de àgua que se ia descolando do tórax, ficando à descoberta apenas o externo da costura e dois pulmõs em dois sacos de plástico magenta.
Do útero em decomposição periódica viajavam limos de sal coagulados e muita brancura seca como estes dias de sol.
Os olhos descolados das crateras, o cabelo empalhado pela electricidade estáctica e as axilas quentes como se estivesse febril do tempo.
Tudo branco no roxo; cada pedaço talhando-se do corpo, cada linha e carne vestida de cieiro e lábios agrafados a quente.
Peles de dedos roídas, sangue estanque, cortes de papel fino, bafos de vapor da chaleira da boca, macacos secos no sotão do nariz de àgua, coxas inertes na ganga, mamilos erectos, vagina contraída, joelhos negros e pés a sentir o chão dos sapatos.
No percurso da escada rolante perdi também as unhas e um outro botão do meu casaco.
O tecto das amigdalas inchadas, ranho de cobrir a cara com muitos lenços afogados na mão.
No percurso da escada rolante o sol encarregou-se também da minha cegueira, que cansada de procurar os pés do passageiro da frente, enfrentava apenas as veias do pulso azuis caídos ao nível dos pés, como se procurasse os ponteiros no piso do comboio.
Percebo o desenho das linhas paralelas da tal escada rolante, e desço-a. Chegando ao metro onde me junto aos bocejos da manhã, já só me sobra da decomposição a cabeça, o pescoço e alguma articulação desajeitada da origem que me foi dada no ano zero de mim.
Percebo o trajecto a frio, entro para dentro da carruagem subterrânea e está quente.




lembrei-me desta merda q escrevi com 15 aninhos_porque uma menina de 15 aninhos me telefonou hoje e eu parecia que tinha 8_:)
fisicamente explicito qb...qd tiver qq coisa melhor escrevo. só para não pensarem q não penso em vocês_lolol
jinhos natas e manuel:)


MAR_

Sem comentários: